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DEADWORLD 2 está no Catarse da Tai Editora

A continuação do clássico de zumbis dos anos 80 está chegando pela Tai Editora, e já está no Catarse. A campanha já conta com 70% de seu apoio e restam apenas 4 dias para seu encerramento, confira o que está por vir!

Deadworld foi precursora do gênero zumbi nos quadrinhos, inclusive serviu de inspiração para a criação de The Walking Dead. O Volume 2 tem a mesma qualidade e padrão do primeiro lançamento, que saiu em março deste ano, com capa cartão, 132 páginas em preto e branco em papel couchê.

A editora já adianta que Deadworld foge completamente aos clichês das histórias de zumbi, dando ao leitor a impressão de estar assistindo a uma produção cinematográfica, devido a complexidade da história e sagacidade de seu roteiro e personagens. O quadrinho conta com um time de peso em sua produção, tendo como roteirista Stuart Kerr, ilustrado por Vince Locke, artista responsável por muitas das capas da banda Cannibal Corpse

Dentre as recompensas, temos brindes como marca páginas, cartões com artes originais, posteres, livros e ainda uma box de DVDs Zumbi no cinema. Incrível, né? Têm recompensas para todos os gostos, para ninguém botar defeito!

Confira algumas citações sobre a série nos Estados Unidos:

Se você gosta de zumbis, histórias de horror, ou histórias pós-apocalípticas você, definitivamente, deveria ler esta série“. – Comicspectrum.com.

É claro que The Walking Dead pegou algumas ideias deste livro, então vá apoiar um livro que acertou o gênero zumbi primeiro“. – Comicbastards.com.

“Você simplesmente precisa ler Deadworld, jovem ou velho, porque ele está no topo da minha lista de títulos de Horror Cômico.” – DecapitatedDan.com

Então, tá esperando o quê? Faltam poucos dias,mas ainda dá tempo de adquirir essa edição fantástica e ainda aproveitar as recompensas. Não vá perder! Confira no Catarse clicando no banner abaixo. 😉

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Orlandeli está com um projeto novo no Catarse, confira!

O quadrinista, cartunista, chargista e ilustrador, Orlandeli está com mais um grande lançamento, A Coisa! Você pode adquirir a obra no Catarse, o projeto já se encontra com mais de 50% de apoio, isso em menos de uma semana no ar.

A Coisa retrata  as experiências e vivências que vamos acumulando ao longo da vida, principalmente quando elas se tornam muito ruins e viram uma companhia indesejada, como uma frustração que não conseguimos abandonar. Assim é a vida de Austolfo, nosso protagonista, que convive com essa presença onipresente que invadiu sua mente e tomou posse de sua vida, ainda que ele não a desejasse.

O financiamento de A Coisa ainda vai te permitir completar sua coleção do autor,  boa parte de suas obras estarão disponíveis no sistema de recompensas, inclusive sua Graphic MSP Chico Bento Verdade. Sketchs e Cards com artes originais também vão estar disponíveis, mas por tempo limitado.

Confira essa obra apoiando seu financiamento no link do catarse e conheça mais de sua obra em seu site.

Boa leitura! E lembre – se: Apoie o quadrinho nacional! 

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Confira AYMARÁ, o novo trabalho de Laudo Ferreira e Rita Foelker

O quadrinista Laudo Ferreira (Yeshuah Absoluto, O Santo Sangue, Olimpo Tropical) lança em parceria com a filósofa Rita Foelker, o quadrinho Aymará, que conta a  experiência  dos autores com o xamanismo e o chá Ayahuasca (vinho das almas). 

A escritora e filósofa Rita já possuía grande experiência na área espiritual em seus livros e dessa vez quis contar sua vivência pessoal para o autor a fim de comporem juntos essa história. A pedido de Laudo, a escritora criou o roteiro da história e o quadrinista deu conta do restante. Mas, essa HQ não teve um desenvolvimento tão fluido e rápido quanto parece. Logo após dar início a Aymará Laudo deu uma longa pausa e começou a desenvolver outros trabalhos trabalhos, como o quadrinho Caderno de Viagens, e só depois desse período, como em uma epifania, um chamado espiritual, Laudo percebeu que já era hora de dar continuidade a esse trabalho. 

Aymará narra a história da protagonista, Ariel, uma jornalista que faz uma viagem de férias com seus amigos e acaba passando por uma experiência espiritual, onde vê a necessidade de mudança e de largar costumes antigos que a prendiam em suas amarras pessoais, a impedindo de evoluir. Mas, se vê obrigada a mudar suas convicções depois do encontro com o mestre espiritual, Aymará.

A HQ está sendo lançada pelo selo editorial Café Espacial e foi selecionada pelo ProAC Lab Expresso e tem o apoio da Secretaria de Cultura de São Paulo. Sua venda está disponível no site pessoal de Laudo Ferreira e também através do site do Café Espacial. Não deixe de conferir!

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Conheça a Tortuga, a nova editora nacional

Cheirinho de editora nova no ar! E esse clima de final de ano, nos trouxe um presente maravilhoso, que foi a estreia da Editora Tortuga. A Editora, já chegou trazendo muitas novidades para o mundo dos quadrinhos, com um Catarse no ar, de DOIS GENERAIS, do cartunista e ilustrador canadense Scott Chantler.

A Editora Tortuga estreou aqui no Brasil, através do projeto dos idealizadores Flávio Soares e MJ Macedo, que gentilmente aceitaram nos conceder uma entrevista para nosso público conhecê-los melhor. Segue abaixo:

Monique – Como iniciou a ideia da editora e quem foram os idealizadores do projeto?

Flávio
A ideia da Tortuga nasceu a cerca de um ano. Eu tinha a ideia de montar uma editora e o MJ também pensava nisso como um “braço” para a MEMY. Como já temos uma relação de amizade e de trabalho há alguns anos, vimos que fazia mais sentido juntar esforços em uma única editora. Daí nasce a Tortuga como um selo dentro da MEMY – que produz uma pancada de conteúdo e vai anunciar nos próximos dias um calhamaço de projetos que estão sendo feitos há bastante tempo também.”

MJ
“A MEMY surgiu como um projeto pessoal meu, uns anos atrás, de criar uma empresa de entretenimento brasileira focada na criação e produção de propriedades intelectuais exclusivas, minhas e de outros artistas. E expandir essas ideias pro máximo de mídias possíveis: quadrinhos, livros, games e animações pro mercado nacional e internacional. Entre esses projetos, atualmente temos exclusividade das obras de Deodato Borges e Mike Deodato Jr, como o Flama, Ramthar, 3000 anos Depois e Quadros. Todos sendo desenvolvidos e reformulados para o mercado internacional e o público atual.

Parte do planejamento era ter outros braços e selos que dessem suporte a nossa atividade principal – de desenvolver projetos próprios – e conseguissem manter a equipe e os artistas envolvidos sem precisarmos nos tornar dependentes exclusivamente de investidores privados ou financiamento público. Minha principal preocupação sempre é ter liberdade criativa e autonomia artística, pros projetos serem desenvolvidos da melhor maneira possível. Dessa maneira surgiu, por exemplo, um estúdio de produção gráfica que atende editoras e produtoras de games/animações no exterior desde 2019, entre outras atividades e cujos lucros são revertidos para investir nas outras operações e manter toda a equipe.

Começamos a falar da Tortuga aproximadamente há um ano atrás, conforme o Flávio disse, e eu vi uma oportunidade de trabalhar também com projetos de autores nacionais que não entrariam na grade editorial da MEMY, por fugirem do escopo dela de obras mais voltadas para cultura pop. E desde então começamos a organizar a editora, fazer o planejamento e negociar com os autores.”

Monique – Adorei essa estréia no Catarse! Qual foi a motivação para esses primeiros títulos escolhidos?

Flávio
“O grande critério foi a qualidade. Independente da temática e de onde vem o quadrinho, ele precisa ter qualidade. DOIS GENERAIS se encaixa perfeitamente nisso e é um grande cartão de visitas para a Tortuga e para nossa visão editorial. Estamos falando de um quadrinho de um autor premiado lá fora, eleito um dos 40 melhores livros canadenses de não-ficção, publicado originalmente em 2010 e que nunca foi lançado aqui.

É este tipo de material que estamos de olho. DOIS GENERAIS é, na minha opinião, a melhor visão em quadrinhos para a II Guerra Mundial. E ainda tem um impacto maior não apenas por mostrar um lado que a grande indústria do entretenimento pouco mostra – a participação das tropas canadenses no front europeu – como também por se tratar de uma história real que mostra a atuação de Law Chantler, avô do autor, Scott Chantler, e seu amigo Jack Chrysler como oficiais da Infantaria Ligeira das Terras Altas Canadense.

Está tudo lá: treinamento, Dia D, avanço e conquista de territórios e todos os absurdos que uma guerra produz. Tudo isso contado de maneira brilhante por um narrador muitro habilidoso e que foi pouco visto por aqui.

Um ponto que vale ressaltar em nossa estratégia no Catarse é com relação ao preço e à entrega do livro. Independente do Catarse, DOIS GENERAIS será publicado – toda a parte de design editorial e letreiramento está pronta e o livro está, neste momento, em sua primeira revisão. Com isso em mente, muitas pessoas podem pensar “bom, se vai ser publicado, compro depois na loja ou no site”. Isto será possível, sim, mas o preço de R$ 35,00 (mais frete) que está no Catarse, vale apenas para o Catarse. É um preco especial de pré-venda. Quando o livro for para o site, custará, por baixo, R$ 50,00 (mais frete). Então, se ainda falta algum fator para o leitor decidir a compra – além da qualidade absurda de DOIS GENERAIS –, este fator é o preço: os preços de pré-venda valem apenas para a campanha do Catarse (inclusive com dois pacotes especiais para lojistas).”

Um outro ponto no qual estamos muito focados é na entrega. Como disse antes, a produção está correndo e o livro será impresso e entregue em fevereiro de 2022 ou até antes, se for possível. E este será o padrão para todos os livros da Tortuga – neste momento, já estamos trabalhando em nosso segundo título que entrará em campanha em janeiro de 2022.

Monique – Quais são os próximos passos da Tortuga para o próximo ano?

Flávio
“Conquistar o mundo, claro! (risos)

Falando sério, além de seguirmos com a publicação de material licenciado, nossos planos prevêem a produção e publicação de material inédito nacional – sempre mirando o combo qualidade + preço, porque, para nós, quadrinhos precisam ser baratos e isso não afeta a qualidade. Nossa ideia é nos próximos 12 meses estabelecermos uma régua de dois lançamentos por mês, sempre fazendo um valor muito mais atrativo na pré-venda pelo Catarse. Para o futuro, um de nossos projetos BR é, inclusive, a volta de um título clássico repaginado para o público e mercado de hoje (mas não posso adiantar mais nada além disso por enquanto).”

MJ
“Vale lembrar que nosso segundo título, Altai & Jonson, de Giorgio Cavazzano e Tiziano Sclavi, é nossa próxima publicação. A pré-venda começa em Janeiro e também será pelo Catarse.”

Monique – Muito obrigada por esse papo! Foi um prazer conhecer a Tortuga, espero ver grandes realizações para o próximo ano. Gostaria de deixar uma mensagem para os nossos leitores?

Flávio
“Nós é que agradecemos pelo espaço que vocês nos deram para falar da Tortuga.

Para os leitores, o que podemos dizer é: sigam a Tortuga nas redes sociais para ficarem por dentro de tudo que estamos planejando. Sigam também a MEMY para ver todos os outros projetos de conteúdos que estão sendo desenvolvidos e vão ganhar a luz do dia nos próximos meses – tem muita coisa, a Tortuga é só um pedacinho pequeno de tudo o que está acontecendo neste exato momento.

E usem nossos canais para mandarem sugestões. Nós queremos saber o que os leitores querem ver publicado aqui no Brasil. Como dissemos antes: não importa o mercado de onde vem o material (Europa, Ásia, Americas); o que nos importa é a qualidade. Se a sugestão fizer sentido dentro do nosso escopo editorial.”

MJ
“Muito obrigado pelo espaço! E para os leitores, só queria acrescentar que somos um grupo de artistas e profissionais, que dia a dia tem trabalhado duro para descobrir novas maneiras de financiar e produzir arte, num sistema cada vez mais auto sustentável e independente. E temos conseguido avanços incríveis, a Tortuga é só a pontinha do Iceberg. Mas ainda estamos começando. Então, vocês são peças fundamentais para que isso tudo realmente se concretize. O suporte do público é que vai fazer com que essa e muitas outras magias aconteçam.”

Entrevistados:

  • Flavio Soares | TORTUGA.MEMY.MEDIA – Editor in Chief | Editor chefe
  •  MJ Macedo | MEMY.media – Chief Executive Officer | Diretor Executivo

O lançamento de DOIS GENERAIS está com um preço promocional de R$ 35,00 + frete (Valor para aquisão apenas de Dois Generais) , valor bem especial para ninguém ficar de fora não acham? E mais! Para quem apoiar ainda vai encontrar nos pacotes de recompensas além dos papéis de parede, mais dois quadrinhos da editora Marsupial/Jupati, Desastres Ambulantes e Ruínas.

Link para o apoio do Catarse no Banner abaixo!

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Saiba quem são os Perpétuos e se prepare para a série Sandman da Netflix

Empolgados para a estreia da série Sandman? Essa semana foi revelado que neste sábado, 25 de setembro, ao vivo às 12:50 no canal do youtube da Netflix Brasil, será divulgado o primeiro teaser da série no evento Tudum: Um evento mundial para fãs da Netlix, que já está em contagem regressiva e recheada de novidades. E para aguardar esse teaser e aumentar ainda mais as expectativas para essa tão aguardada série, que tal conhecer um pouco mais desse universo fantástico de Neil Gaiman? Saiba aqui  por onde começar sua leitura e quem são os Perpétuos!

A série ainda nem foi lançada e já é sucesso de críticas e elogios, e está dividindo os fãs já na escolha dos elenco, que diga- se passagem, teve uma escolha excepcional e me gerou grandes e positivas expectativas. 

Vamos começar do início, nos primórdios haviam entidades que chegaram antes mesmo dos seres humanos e esses seres eram denominados Perpétuos, que ao todo eram 7 e eles eram irmãos. Todos eles representam algo que compõe nossa humanidade e vida na Terra. Todos os perpétuos possuem seu próprio reino e símbolo, que são artefatos usados para invocar uns aos outros quando necessário.

 

Morpheus, senhor do Sonhar. Todos que estão vivos sonham e em algum momento irão passear pelos seus reinos. Os sonhos movem a humanidade e sem sonhos nossas vidas não seriam as mesmas e essa analogia é descrita de forma muito singular quando por um período de 70 anos a humanidade perde a capacidade de sonhar após o aprisionamento do senhor do reino dos sonhos no arco Prelúdios e Noturnos. Morpheus, dentro de toda sua sabedoria e seriedade, já foi também imaturo e indiferente a vida da humanidade, mas seu período no aprisionamento o fez ter uma grande compressão e empatia sobre a vida dos mortais.

 

Morte, a mais velha entre os irmãos depois de Destino, a única que esteve presente na nossa chegada e a única que estará presente para fechar as portas quando nós nos formos finalmente no fim dos tempos. Morte é a Perpétua que demonstra mais humanidade e simpatia, mas nem sempre foi assim, esse dom foi aperfeiçoado após tomar a decisão de passar um dia na Terra como uma mortal a cada cem anos para conhecer e entender esse seres que ao mesmo tempo são tão frágeis e tão complexos.

 

Destino, o irmão mais velho. Quando a humanidade surgiu seus destinos foram traçados, assim nasceu o Destino. Descrito como um homem cego, trajado de um manto e sempre com um livro nas mãos, o livro do destino está acorrentado à ele por toda a eternidade, nele contém todos os segredos do passado, presente e futuro. Destino é o irmão mais sério e dedicado aos seus deveres.

 

Desejo, em alguns momentos representado com aparência de uma mulher, outras com a aparência de um homem andrógeno, pois o desejo não tem gênero, todos desejam alguém ou alguma coisa, ele representa o desejo e a ambição do ser humano. Desejo é egocêntrico, e foi o grande responsável por manipular ações que levaram ao aprisionamento de Morpheus em Prelúdios e Noturnos, sua arrogância e seus joguinhos foram responsáveis por muita dor e sofrimento, apenas para o seu desejo de satisfazer as peças que pregava contra o irmão Morpheus.

 

Desespero, uma mulher de aparência horripilante, baixinha e nua, seu símbolo é um anel em formato de gancho que usa para fazer cortes na própria pele. Desespero vê refletido em sua galeria de espelhos o pior do homem, assassinos, pedófilos, abusadores e a insanidade, refletidos em suas faces frias e tristes. Desespero é retratada como gêmea de Desejo, ainda que não possuam nenhuma similaridade física, dado ao fato de que Desejo é uma criatura de beleza indescritível, mas o desejo também é capaz de levar ao sofrimento e desespero.

Destruição, é o perpétuo que quis abandonar suas obrigações e não mais viver em função do que era esperado para ele, ele compreendeu que o nosso mundo é assim e nós, seres humanos, sempre vamos dar um jeito de destruir e nos autodestruir até o final dos tempos, independente das ações do perpétuo que era responsável por causar a destruição para que novos ciclos se iniciassem. Destruição um dia simplesmente foi embora para ter uma vida comum com seu companheiro fiel, o cachorro falante Barnabas. Todos os seus irmãos aceitaram ou foram indiferentes à sua escolha, exceto Delírio, a irmã mais nova e confusa, o que deu origem a uma incrível saga no arco Vidas breves, onde Delírio convence Morpheus a acompanhá – la em busca do irmão. 

“Eu gosto de estrelas. Creio que é a ilusão de permanência. Sei que vivem explodindo, esmorecendo e se apagando. Mas daqui posso fazer de conta… Posso fazer de conta que as coisas duram. Que vidas são além de momentos. Deuses vêm e vão. Mortais lampejam, brilham e desvanecem. Mundos não duram; estrelas e galáxias são transitórias, coisas passageiras que cintilam como vagalumes e se desfazem em frio e pó. Mas posso fazer de conta.” Destruição, em Vidas breves.

 

Delírio,  que um dia foi Deleite, é a irmã mais nova. Delírio vive em constante variação, nem mesmo sua sombra se assemelha com a aparência que ela apresenta no momento. Seu estilo é uma tremenda mistura desconexa, cabelos coloridos que hora são compridos e bonitos, hora curtos e desgrenhados, olhos de cores díspares, um verde como esmeralda e outro azul, representando a confusão de sua mente “Quem pode saber o que Delírio vê através de seus olhos desiguais?”. Dentro de suas confusões Delírio tem vários momentos de lucidez e consegue se mostrar mais forte e sábia, ainda que por poucos minutos, nesses momentos seus olhos se tornam iguais como se pudessem vislumbrar a estabilidade por alguns instantes. A jovem é a representação da dor da mudança, em não aceitar a transformação e o crescer. Além de ser uma forte alusão aos transtornos da mente, Delírio se perde em seus devaneios constantemente, esquece o que ia dizer, troca e inventa palavras, demonstra confusão de pensamentos e desconexão com a realidade. Seus balões de fala são sempre coloridos e sua fonte bagunçada. Mas, como Sandman é uma história da evolução dos Perpétuos e os resultados de suas ações no mundo, Delírio também nem sempre foi assim. Vemos claramente no arco Noites sem Fim, que é dedicado a contar individualmente a história de todos os irmãos, nele é possível ver fatos que levaram eles a serem o que são ou motivo de terem buscado mudança, nele na história de Morpheus em uma convenção com os astros no início do universo, vemos pela primeira vez Delírio como uma criança normal, assim como qualquer outra, feliz, curiosa, argumentativa, dois olhos iguais e sem balões diferentes, era puramente uma criança inocente que ainda não tinha assumido a responsabilidade de ser uma das 7 Perpétuas. “Alguns dizem que a grande frustração de Delírio é saber que, apesar de ser mais velha que as estrelas e mais antiga que os deuses, ela continua sendo, eternamente, a mais jovem da família, pois os Perpétuos não medem tempo como nós nem vêem mundos através de olhos mortais.”  

Delírio é minha Perpétua preferida, como não compreender a dificuldade em aceitar a perda da nossa inocência e sanidade tão bruscamente para sermos jogados em um mundo tão cruel?

 

O universo dos quadrinhos de Sandman é extenso e rico. Seu primeiro arco foi publicado entre Janeiro e Agosto de 1989 e a continuação dos demais arcos foi lançada até 1996. Os personagens são muito bem construídos e não apenas em seu núcleo principal, a trama gira em torno de causa e efeito, seus arcos se complementam como uma dança sincronizada e todas as ações resultam em consequências futuras, nada passa despercebido. Isso fica claro logo nas primeiras histórias, Morpheus nem sempre foi sábio, era imaturo, arrogante, e apenas após seus anos aprisionado pela seita da Ordem dos Antigos Mistérios sua visão do mundo mudou. Como Delírio diz em Entes queridos, nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade.” Essa é uma das muitas formas de retratar passagens de amadurecimento e nos mostrar que mesmo sendo tão poderosos e evoluídos, quase como Deuses, os Perpétuos também tem que arcar com suas responsabilidades aqui na Terra e que suas pegadas também deixarão marcas.

Uma particularidade dessa saga é a forma que aborda situações reais, fazendo duras críticas sociais e ao nosso modo de vida. Neil Gaiman sempre busca retratar em suas histórias mulheres fortes, de grande personalidade, sejam elas humanas ou não (Fadas, Musas e Bruxas da Mitologia), transxesuais, relacionamentos entre personagens lgbt, preconceito, sem contar as inúmeras referências que você pode brincar de listar em todos os arcos como se tivesse dentro de o Jogador N1 ( Livro de Ficção de Ernest Cline ). Em suas histórias Gaiman trás desde personagens históricos à personagens da mitologia, e ainda outras personalidades do Universo DC como Batman, Caçador de Marte e Constantine.

Muitas edições já foram publicadas ao longo dos anos, ao todo são 13 arcos que compõe 75 histórias

  1. Sandman: Prelúdios e Noturnos (01 a 08)
  2. Sandman: A Casa de Bonecas (09 a 16)
  3. Sandman: Terra dos Sonhos (17 a 20)
  4. Sandman: Estação das Brumas (21 a 28)
  5. Sandman: Espelhos Distantes (29 a 31 e 50)
  6. Sandman: Um Jogo de Você (32 a 37)
  7. Sandman: Convergência (38 a 40)
  8. Sandman: Vidas Breves (41 a 49)
  9. Sandman: Fim dos Mundos (51 a 56)
  10. Sandman: Entes Queridos (57 a 69)
  11. Sandman: Despertar (70 a 73)
  12. Sandman: Exílio (74)
  13. Sandman: A Tempestade (75)

Dê uma olhada em algumas das publicações que sairam aqui no Brasil:

 

Coleção lançada pela Editora Conrad, 2005

 

 

 

Edição Definitiva, Paninini 2006

 

 

 

Edição Comemoração 30 anos, Panini 2019-2021

Edição Comemorativa 30 anos Panini 2019-2021

 

Essas são as publicações que eu acho mais bonitas lançadas até agora, mas além delas também foram publicadas no Brasil pela Editora Globo os 13 arcos entre anos 80 e 90 e a Editora Pixel fez sua participação publicando Prelúdios e Noturnos em 2008. 

E então? Despertou a curiosidade de conhecer um pouco mais desse universo e maratonar a série de quadrinhos antes de assistir a série de TV da Netflix? Conta pra gente! 

 

Nos vemos no sonhar! Bons sonhos 😉

 

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Gideon Falls – A saga chega ao fim

A saga de grande sucesso chega ao fim e ao contrário do que ouvimos falar sobre os quadrinhos autorais de Jeff Lemire, que as histórias são muito similares, sempre com um drama familiar, Gideon Falls é um thriller capaz de arrepiar os cabelos, carregado de suspense e com uma pitada de horror na medida.

Lançada nos Estados Unidos pela Image Comics em 2018 pela dupla já conhecida Jeff Lemire e Andrea Sorrentino ( Arqueiro Verde e O Velho Logan) e o colorista Dave Stewart ( Hellboy e Daytripper) , foi publicada  em terras brasileiras pela Editora Mino, em 6 encadernados muito bem trabalhados.

Iniciamos essa narrativa com a história de Norton Sinclair, um rapaz com sérios problemas psiquiátricos atormentado pela escuridão. Calma! Não é o lado negro da força querendo tentar o nosso jovem “If you only knew the power of the dark side, Norton”. 

Brincadeiras à parte, a princípio não é possível saber o que o atormenta, deixando dúvidas se existe de fato algo a temer ou se tudo não passa de confusões criadas pela cabeça do rapaz. Norton dá muitos sinais de estar confuso e perdido dentro suas manias, como revirar o lixo da cidade em busca de pistas para obter respostas de um quebra cabeças que ele nem ao menos consegue explicar. 

Norton conta apenas com apoio de sua psiquiatra Dra. Xu, que mesmo cética em realação ao sobrenatural, dá o suporte que seu paciente necessita ao notar tamanho sofrimento que esse mistério lhe causa. Mas, o cetismo desta psiquiatra dura apenas até o momento em que ela mesma tem a visão o Celeiro bem diante dos seus olhos.

O segundo núcleo apresentado vive no interior de Gideon Falls, onde há uma pequena comunidade típica dos filmes de terror onde todos se conhecem e muitos possíveis suspeitos se formam. A pequena comunidade é agraciada com a chegada de um novo Padre, Wilfred. Um Padre totalmente fora do padrão, com problemas com alcoolismo e um passado bem obscuro. Sua chegada é precedida por um assassinato e o Padre é o primeiro suspeito desse crime, mas as coisas não seriam tão simples em Gideon Falls, tão pouco esse assassinato seria um crime comum. 

 

A cidade é assolada a gerações por uma lenda urbana, O Celeiro Negro. E suas aparições sempre são precedidas por mortes e terror. Mas, claro que essa lenda parece apenas uma bela oportunidade para se livrar da culpa dos mais hediondos crimes. 

Nada é comum em Gideon Falls, e como para todo boato existe uma possibilidade de fatos reais, um grupo autodenominado de lavradores atuam como a Mistério S.A da cidade atrás de pistas sobre o Celeiro.

O Celeiro Negro é muito mais do que uma aparição fantasmagórica, dentro dele habita um mal que anseia por liberdade e rasteja por entre as realidades, buscando uma forma de sair da prisão da qual se mantém. Esse mal que habita o celeiro é visto como o Homem que sorri na escuridão, uma visão repulsiva que atrai suas vítimas para um caminho sem volta, que tenta as pessoas através de suas fraquezas para tomá -las em busca de um receptáculo perfeito, como um gênio da lâmpada diabólico.

 

Com um roteiro quase cinematográfico, ler esse quadrinho é como ver  as cenas de um filme ou série de TV acontecendo bem diante dos seus olhos. A arte de Andrea Sorrentino colabora em grande parte para causar essa sensação, já que ela conta uma história à parte do roteiro, insinuando detalhes que complementam, como uma dança sincronizada,  essa narrativa.

Lemire faz bom uso da Teoria das realidades paralelas nessa história, explorando realidades alternativas e uma base temporal de dar inveja na série Dark da Netflix e no quadrinho Crise Infinita da DC Comics (Super Recomendo).

A saga gera  altas expectativas no leitor a cada volume e apesar de ter uma narrativa e personagens excepcionais, ela cria mais questionamentos do que os responde. Talvez, na ânsia  de criar um universo fantástico, Lemire tenha se esquecido de amarrar muitas pontas soltas, e o último volume intitulado O fim abre uma brecha para uma possível continuação. Para alguns leitores, esse final ambíguo foi decepcionante, para outros foi a oportunidade de ver um retorno dessa saga.

E por falar em continuação, na CCXP Worlds 2020 Sorrentino confirma a produção da  série de TV inspirada nesse thriller, tendo o diretor James Wan ( de Aquaman ) como o responsável por trazer essa adaptação dos quadrinhos para as telinhas. Será que esse foi o motivo de um final tão aberto? Só nos resta aguardar por mais detalhes.

Então, empolgados para esse show? Leiam Gideon Falls e deixem suas impressões aqui pra gente. 😏

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Representatividade LBTQIA+ nos Quadrinhos e a POC CON em Casa 2021

Aproveitando que o mês do Orgulho LGBTQIA+ aconteceu em junho deste ano, precisamos lembrar de duas coisinhas: Não precisamos fazer parte da comunidade para lutar contra a homofobia e precisamos sempre que possível abordar o tema representatividade como um todo.

Vamos dar uma breve recapitulada no significado da data antes de iniciarmos?

É comemorado em 28 de Junho internacionalmente, inclusive aqui no Brasil, o Mês do Orgulho LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays,Bisexuais,Transexuais, Queer, Intersexo, Asexuais e o + engloba outros grupos e variações como por exemplo os Pansexuais) .

Essa data tem um significado histórico, relembrando a Rebelião de Stonewall Inn. Essa rebelião foi um ato de revolta a favor da comunidade, seguido por uma onda de protestos contra a LGBTfobia e contra uma série de invasões feitas pela polícia a bares frequentados por homossexuais em Nova York 1966, com prisão e uso de violência. 

 

 

Bom, já não é de hoje que é sabido que no quesito quadrinhos existem uma infinidade de temas a serem abordados e a cada dia vemos mais chegarem como os de terror,  suspense, drama familiar (Um bom Lemire, né mores?),  faroeste, ação, comédia e sim, representatividade.

Em uma época delicada, onde ao introduzir núcleos de minoria nos quadrinhos somos bombardeados por aqueles que acham que isso não passa de “lacração“. Parece que é mais fácil aceitar um alienígena de collant com poderes cósmicos e fenomenais do que aceitar um personagem homoafetivo que se  aproxime de histórias e pessoas reais. Como o exemplo abaixo:

Vingadores, a cruzada das crianças” (Salvat)

Lembrando evento vergonhoso, ocorrido no ano 2019 na Bienal do RJ quando o então prefeito Birovela mandou recolher obras com temática LGBT voltadas para o público jovem.

 

 

E foi pensando nisso que eu quis falar aqui sobre um evento super inclusivo que tem dado espaço para aos artistas, quadrinistas e ilustradores LGBT do Brasil, A POC CON -Feira LGBTQ+ de Quadrinhos e Artes Gráficas.

O nome Poc vem de uma gíria  ‘poc poc’ que era usada para ridicularizar Gays tidos como “Afeminados”  fazendo alusão ao barulho que o salto faz, mas hoje a gíria é usada pela própria Comunidade LGBT, não mais como um termo depreciativo, mas sim como representação de identidade.

A primeira POC CON  teve sua estréia em 22 de Junho de 2019 no Osaka Naniwa-Kai (Associação sem fins lucrativos que destina-se a desenvolver atividades beneficentes e culturais). Levando cerca de 73 artistas, conseguiram atrair aproximadamente 3.000 pessoas para contemplar esse espetáculo de cores e muita arte. 

Mário César (Bendita Cura) e Rafael Bastos Reis (Pornolhices) foram os idealizadores desse evento. Ambos sentiram a necessidade de ter um espaço para dar voz a um público mais específico, pois mesmo que já existissem muitos eventos voltados para Cultura Pop, como a famosa CCXP, não havia espaço para se falar sobre os autores e quadrinhos LGBTQIA+.

 

Infelizmente, com a pandemia, esse foi mais um evento que teve que ser adiado presencialmente, mas não deixando essas cores se apagarem, Mário e Rafael trouxeram em 2021 a Poc Con em casa. O evento online foi um sucesso! Foram apresentadas Lives, Oficinas, debates, Gibiteca Digital e até performance de cosplay, mostrando que o Poc veio para ficar.

Eventos como esse são de suma importância não apenas para comunidade LGBTQIA+, mas para que todas as pessoas independente de gênero possam frequentar ambientes onde celebrar a diversidade é o prato principal do dia, aprender sobre o que o outro tem a ensinar, respeitar  e dar continuidade a luta pelos direitos dos que ainda são minoria e sofrem diariamente nas mãos dos que não entendem quem lhes é diferente, reforçando o apoio ao cenário da nona arte brasileira que tem crescido absurdamente nos últimos anos e mostrando o que temos de melhor nos quadrinhos nacionais pelas mão de artistas LGBT.

Um Presente da POC CON em Casa de 2021 foi a Gibiteca Digital, que foi patrocinada pela  CHIAROSCURO STUDIOS e disponibilizaram quadrinhos de autores LGBT dos mais variados temas e classificação etária para Download Gratuito no site da POC CON. Babadeiro, né mon amour?

Agora, veja se não vai bancar a Alice e perder essa Biblioteca colorida de quadrinhos totalmente 0800!! Basta clicar no banner abaixo para ser redirecionado para o site e fazer o Download em PDF. São mais de 60 títulos multicoloridos e espetaculares para você se deliciar. 

 

Tá passada? Se joga, Bebê!! 😉

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Narrativas Periféricas: HQs Nacionais e a inclusão

Depois de anos afundados no maravilhoso universo dos quadrinhos e imersos em um mundo de super-heróis estrangeiros, acabamos sentindo a necessidade de um novo tipo de imersão, e, se ela puder vir carregada com um pouco da nossa realidade e vivência dentro do nosso país, é melhor ainda!

O projeto Narrativas Periféricas merece um olhar mais atencioso e especial. Ele nasceu através de uma parceria incrível entre a Perifa Con, Editora Mino e a Chiaroscuro Studios.

O Projeto tem cunho social e tem o objetivo de formar profissionais e publicar quadrinhos de autores da periferia. Foram abertas 8 vagas, sendo 4 destinadas a quadrinistas negros.

Tudo isso aconteceu logo após a primeira edição do Perifa Con, que é uma espécie de Comic Con das periferias, que ocorreu no Capão Redondo, distrito da Zona Sul de São Paulo em 2019 que teve e tem o intuito de unir tudo sobre a cultura Pop como quadrinhos, desenhos, filmes e o mundo Nerd/Geek em geral.

Chegaram ao final do processo 6 artistas, que tiveram seus quadrinhos publicados através de um financiamento coletivo no início de 2020. O financiamento fez tanto sucesso que ultrapassou sua meta de R$26.000,00 e quase dobrou esse número.

Agora, conheça um pouco dos quadrinhos lançados nesse projeto:

Quando a música acabar de Isaque Sagara

Narra a história de jovens da periferia de São Paulo,1991 – que apenas queriam comemorar o aniversário de um dos integrantes do grupo, mas suas histórias se cruzam em tragédia, mostrando o racismo nada velado da nossa sociedade.



Para todos os tipos de vermes – Kione Ayo

Após a morte da melhor amiga, dois primos ficam obstinados em descobrir os segredos que mantém sua sociedade dividida. A história mostra claramente uma divisão social doentia, em  “Para todos os tipos de vermes” vemos habitantes de dois mundos que vivem dentro de gigantescos vermes no fundo do oceano. Os habitantes do intestino vivem à margem da sociedade,  convivem com doenças e as migalhas de uma vida miserável.  Já os habitantes da região lipídica do verme, vivem as custas do trabalho e sacrifício dos moradores do submundo.

Shim – Isaac Santos

Um pai em seu último dia em um emprego saturado fazendo de tudo para dar um futuro melhor para sua filha Luna. D é um Shinobi em uma missão, um dos melhores no que faz, mas precisa abrir mão dessa vida para viver uma vida normal com sua única filha. O que parece ser um caminho sem volta, na verdade tem um belo encerramento.

Crianças Selvagens – Gabriel Brito “Gabú”

O Jovel Ariel se vê perdido entre viver em um lar abusivo e fugir de toda dor e sofrimento. Em sua fuga encontra outras crianças em situação de rua e juntos enfrentam todas as dificuldades de uma vida de abandono e perigos. Nessa emocionante jornada, uma verdadeira família  nasce dessa amizade.

POMO – Eyk Souza

História futurista, num mundo distópico onde se discute política, extremismo religioso e uma luta para encontrar seu próprio caminho. O rumo dessa história é totalmente virado de cabeça para baixo quando um homem encontra um alienígena andrógeno que põe em cheque tudo o que ele acreditava.

Thomas, La Vie En Rose – Arthur Pigs

Todos os dilemas de uma sociedade doente, contada com humor. Onde é preciso força para lidar com um emprego odioso, término traumático e uma jornada em busca da felicidade.

E aí, curtiu? Já deu o seu  apoio a algum projeto de quadrinho nacional? Então, corre lá e conheça o que temos de melhor!