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Pisque Duas Vezes acerta em seu roteiro, mas tropeça em sua direção

Pisque Duas Vezes marca a estreia de Zoë Kravitz como diretora, um nome que desperta curiosidade, tanto pelo seu trabalho como atriz quanto pela promessa de uma nova visão no gênero de suspense. No entanto, ao assistir ao filme, fica evidente que, embora Kravitz demonstre um potencial indiscutível para criar narrativas intrigantes, sua falta de experiência como diretora afeta o ritmo e a entrega da trama. O longa, que gira em torno de um suspense psicológico, é tão complexo quanto parece à primeira vista, com um roteiro inesperado e envolvente, mas que, por vezes, se perde na execução lenta e cansativa.

Channing Tatum e Naomi Ackie encabeçam o elenco, trazendo dinâmicas contrastantes que funcionam de maneiras diferentes ao longo da produção. Enquanto Tatum parece preso a um tipo de papel que já interpretou várias vezes, Ackie brilha intensamente, carregando parte significativa da tensão dramática. Mesmo com performances desequilibradas, a obra é sustentado pelo roteiro afiado de Kravitz, que entrega reviravoltas chocantes e momentos que deixam o espectador preso à cadeira, ansioso pelo próximo movimento da história.

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A maior virtude de Pisque Duas Veze está, sem dúvida, em seu roteiro. Kravitz, também responsável pela escrita, constrói uma narrativa rica em suspense, marcada por mistérios e surpresas bem elaboradas. A trama evita os clichês do gênero, surpreendendo com momentos de tensão bem construídos, que forçam o espectador a questionar tudo o que pensava saber sobre os personagens e suas motivações. É uma história que exige atenção total, e quando as revelações começam a aparecer, elas vêm como um golpe repentino, trazendo reviravoltas que são genuinamente chocantes. Kravitz demonstra um olhar astuto para a criação de suspense psicológico, fazendo com que o público desconfie de cada pequeno detalhe.

Enquanto o roteiro é o ponto alto do filme, a direção de Kravitz acaba sendo o elemento que enfraquece a experiência. Fica claro que esta é sua primeira incursão como diretora, já que alguns momentos parecem arrastados, com uma cadência que poderia ter sido mais ajustada. O longa, em certos trechos, sofre de um ritmo irregular, tornando-se entediante em partes que deveriam ser mais envolventes. A construção do suspense se dilui em sequências prolongadas e silenciosas que, em vez de contribuir para a tensão, acabam tornando a experiência cansativa. O resultado é uma obra que flutua entre momentos brilhantes e outros que carecem de força, prejudicando a imersão.

É claro que Kravitz ainda está encontrando seu caminho como cineasta, e isso é perceptível em várias decisões que acabam por minar o ritmo do filme. O resultado é uma obra que poderia ter sido muito mais impactante se tivesse uma mão mais experiente no comando. Mas, ao mesmo tempo, é uma estreia que mostra potencial, e Kravitz certamente tem o talento necessário para crescer nesse novo papel. Se ela conseguir alinhar seu olhar estético com uma narrativa mais fluida em suas futuras produções, podemos esperar grandes coisas de sua carreira como diretora.

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Channing Tatum, que tem um papel de destaque, traz mais uma vez o carisma que lhe é característico. Contudo, sua atuação carece de profundidade. Tatum parece preso a um tipo específico de personagem: o homem charmoso e misterioso, mas sem grandes variações emocionais. Não se pode dizer que ele seja um ator ruim, mas a sua performance não foge do que ele já fez em outros filmes. Seu personagem acaba se tornando previsível, sem grandes nuances, o que contrasta fortemente com a complexidade que o roteiro tenta oferecer. Tatum entrega o esperado, mas não surpreende.

Por outro lado, Naomi Ackie é o oposto de Tatum. A atriz mergulha profundamente em sua personagem, transmitindo desespero e inquietação em cada cena. Suas expressões faciais, gestos e até mesmo o silêncio que permeia algumas de suas falas refletem uma atriz em pleno controle de sua atuação. Ackie consegue traduzir o medo do desconhecido e o peso da trama de uma forma que mantém o público engajado. Sua personagem traz uma energia visceral que equilibra a falta de dinamismo de outras partes do filme, oferecendo ao público momentos genuínos de tensão e emoção. É inegável que sua performance é um dos elementos que mantêm o suspense vivo até o final.

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Pisque Duas Vezes é um filme que, apesar de suas falhas, consegue se destacar pelo roteiro e pela atuação de Naomi Ackie. Channing Tatum mantém sua zona de conforto, enquanto Zoë Kravitz, embora tropece na direção, demonstra um talento promissor na criação de histórias. Ele certamente entrega o suficiente para manter os fãs do gênero interessados. Kravitz tem um longo caminho a percorrer, mas, com mais experiência, ela pode se tornar uma diretora a ser observada nos próximos anos.

Nota: 3/5 

Por Daniel Estorari

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