Durante uma coletiva de imprensa realizada pela CCXP, foram revelados novos detalhes a respeito do evento CCXP Worlds: A Journey of Hope, que foi oficializado há dois meses.
A convenção será gratuita, assim como a maioria de seus conteúdos (cinco streamings simultâneos). Entretanto, para aqueles que preferirem uma experiência completa, estarão disponíveis os pacotes Digital Experience, Home Experience e Epic Experience, que variam entre R$35 e R$450. Caso o cliente escolha alguns dos ”ingressos” citados acima, ele receberá em sua casa, uma credencial física e diversos produtos licenciados.
A Journey of Hope contará com os tradicionais painéis com astros e estúdios de Hollywood, uma vez que serão administrados pelo Collider. Seguindo a mesma linha dos eventos internacionais, a CCXP contará com Meet & Greet (pago) com os artistas favoritos dos fãs, podendo escolher entre uma chamada de vídeo com seu ídolo ou um vídeo personalizado.
“A CCXP não é um lugar. Ela acontece onde a gente quiser. Com uma plataforma e conteúdos criados para os fãs do mundo todo viverem, se encontrarem e compartilharem seus universos favoritos. Tudo isso em escala global e participação das maiores celebridades e maiores estúdios do mundo”. Disse Pierre Mantovani, CEO do Omelete.
Comic Con Experience é um evento brasileiro de cultura pop nos moldes da San Diego Comic-Con cobrindo as principais áreas dessa indústria como: vídeo-games, histórias em quadrinhos, filmes e séries para TV.
Para futuras informações a respeito da CCXP, fique ligado aqui, na Torre de Vigilância.
Foi anunciado por meio das redes sociais da CCXP, que a sexta edição da Comic-Con Experience, será 100% online.
Denominada de CCXP Worlds, a convenção terá como principal destino, ‘todos os mundos’, como diz a própria chamada do anúncio.
Sem Informações adicionais, o evento terá mais novidades em Agosto de 2020.
Torre de controle para Tardis, Enterprise, Jupiter 2, Millennium Falcon e sala de estar do apartamento 467. Previsão de partida: aproximadamente 5 meses. Destino: todos os mundos. Vem aí a #CCXPWorlds, uma CCXP com tudo o que a CCXP tem, mas 100% virtual. Novidades em agosto. pic.twitter.com/kvBlbW9pf6
Comic Con Experience é um evento brasileiro de cultura pop nos moldes da San Diego Comic-Con cobrindo as principais áreas dessa indústria como: vídeo-games, histórias em quadrinhos, filmes e séries para TV.
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Depois de um período sabático, as entrevistas voltaram à Torre! Para tal reinício escolhemos Mike Mckone, artista britânico já radicado nos Estados Unidos há anos que teve sua segunda passagem pelo Brasil durante a Comic Con Experience 2019. Desde sua última visita em 2015, no Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte e também na CCXP, Mckone passou por mudanças em sua carreira, gradualmente indo de artista de páginas internas para hoje ilustrar quase que exclusivamente capas, além de desenvolver seu estilo em aquarela. Seu retorno ao evento, inclusive, mostra por essas novas escolhas que, de sua forma ao mesmo tempo tímida e atenciosa, o artista explicou para nós a respeito.
Recentemente você fez alguns headshots que me lembram aquelas Caixas de Canto (Corner Box, no original) da Marvel Comics dos anos 70 aos 90. Como é revisitar algo que era do passado agora no presente da editora?
Foi por isso que aceitei a tarefa. Porque sou grande fã do John Byrne e adorava ver os headshots dele nas caixas de canto. Então foi um desafio legal tentar condensar o que exatamente cada personagem é visualmente em pequenos headshots. Na verdade, não foram pequenas. [As ilustrações] foram bem grandes. É um baita desafio em não colocar muito da sua marca nos personagens que você está desenhando e apenas fazer uma versão “pura” dos componentes da Marvel. Foi bem agradável.
Capa de Marvel Legacy nº 6 – The Defenders. IMAGEM: ebay.com
Nos últimos anos você desenvolveu a técnica de aquarela para fazer commissions, mas voce tem planos para trabalhar assim em capas e páginas internas?
Não! Leva muito tempo. Aquarela também não tem uma boa resolução quando se escaneia então não fica no mesmo nível em material publicado. Cores digitais funcionam muito melhor. Se eu escolhesse fotografar os originais ao invés de os digitalizar talvez fosse possível, mas não tenho planos pra isso agora. Estou muito ocupado.
Hera Venenosa em aquarela por Mckone. IMAGEM: comicartfans.com
Você é um dos co-criadores de Academia dos Vingadores. Assim como em Jovens Titãs, estes são super-heróis “parcialmente desenvolvidos” porque eles estão em processo de descobrimento deles mesmos sobre suas habilidades, atitudes e etc. Para um desenhista e também co-criador, o quão confortável você se sente com personagens que pode criar mais? Por desenvolver seus poderes, técnicas e etc. ?
Eu gostava muito! Não faço isso mais porque parei de desenhar páginas internas, então a última vez que fiz isso foi em Academia dos Vingadores cerca de dez anos atrás. Gostei de dar meus pitacos nas histórias e de fazer mais parte do processo criativo. Quando se faz as capas quase não se tem a oportunidade de fazer o design dos personagens, eles já vêm com seus respectivos modelos prontos para você. Isso é uma parte do trabalho que sinto falta, mas agora tenho a chance de fazer o design das minhas próprias criações sem pedir permissão ou esperar que seja aprovado e aproveito isso muito mais.
Relembrando aquela capa de Iron Man nº1 que você fez com o Jason Keith nas cores. O quanto os coloristas das suas capas o influenciaram na composição de suas aquarelas?
Eu não sei bem como ou quanto influenciaram. São trabalhos de coloristas que gosto, e acabo talvez aprendendo por osmose. Aprendo com eles, mas não penso que cores digitais me influenciam tanto. Acho que os que eu admirava quando mais jovem, como Jon J Muth e George Pratt… esses me influenciaram na aquarela muito mais. Adoro o trabalho de Jason Keith, fizemos também juntos Vingadores – Guerra Sem Fim além dessa capa em particular e foi muito bom. Deixei o traço bem claro, assim ele pôde adicionar textura e volume. Então nos consideramos ambos artistas daquela capa. Não foi só [da parte de Jason Keith] coloração.
Capa de Invincible Iron Man nº 1, de Mike Mckone e Jason Keith. IMAGEM: comic-odyssey.com
E ela [Riri Williams] é uma personagem jovem! Como os Jovens Titãs e Academia dos Vingadores. Você se sente mais confortável mexendo com super-heróis mais jovens?
Na verdade, não. Estou velho já! É mais fácil desenhar o Batman, Wolverine… então fazer adolescentes é bem difícil pra mim. É um desafio e espero estar indo bem pois não é fácil mas particularmente divertido.
Por fazer aquarela só em commissions, qual a diferença para você em desenvolver essa técnica somente desenhando para fãs?
Apenas fazendo e ver o que acontece. É um processo de produção diferente fazer em eventos. Se faz o melhor que pode em um espaço de tempo mais bem curto que no estúdio, onde se tem mais cuidado e é meticuloso. Então, acho que em breve vou tentar experimentar mais com guache e tinta acrílica mas eu tenho que me adaptar ao cronograma. Não tenho planos, vamos ver.
A equipe da CCXP anunciou mais uma convenção geek e nerd, que será denominada de CCXP Cruise.
O ponto de partida do cruzeiro será de Santos (SP) e irá até Búzios (RJ). O evento será realizado de 18 à 21 de março de 2021. Os pacotes da CCXP Cruise serão comercializados em seu site oficial (cruise.ccxp.com.br) a partir do dia 09 de Dezembro. Todavia, para quem for na CCXP 2019, poderá adquirir a sua vaga em um stand exclusivo de maneira antecipada.
O navio do evento será o MSC Preziosa, que possui 18 andares e 1.596 cabines. O preço promocional será de 12 x R$ 229 + R$ 530 de taxa por pessoa. Dentre as atrações, estão: artistas convidados (ainda não revelados), Artists’ Alley, painéis exclusivos, cabines temáticas, jantares temáticos, maratonas de filmes e séries e muito mais.
“Os planos de expansão da CCXP são grandes. No meio deste ano fizemos nossa primeira edição na Europa e o sucesso foi tão grande, que a CCXP Cologne já tem data para acontecer em 2020. E como o grande diferencial da nossa marca é proporcionar ao público experiências épicas, decidimos levar todas nossas experiências para um verdadeiro sonho geek em alto-mar”, disse Pierre Mantovani, CEO do Omelete e um dos organizadores da CCXP.
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A CCXP anunciou por meio de suas redes sociais, que o filme Frozen 2 terá a sua pré-estreia no evento, que será realizada no dia 07/12/2019 (sexta-feira).
Logo em seguida, terá os painéis das animações Um Espião Animal e Dois Irmãos (que você pode conferir o novo cartaz e trailer logo abaixo). Ambas as animações também são da Disney.
A temperatura caiu? Porque eu arrepiei aqui. Sábado (07/12) tem pré-estreia de “Frozen 2” na #CCXP19. E, logo em seguida, mais dois painéis imperdíveis: “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” e “Um Espião Animal”. pic.twitter.com/pNMr61a8bE
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A HBO Brasil anunciou através de suas redes sociais, que trará parte do elenco de His Dark Materials para a CCXP 2019.
Os atores serão: Ruth Wilson, Dafne Keen e Clarke Peters. Ainda não foi revelado o dia que os astros estarão no evento.
É a verdade que vocês estão procurando? Aqui está: His Dark Materials estará na #HBOnaCCXP! Segura esse elenco de peso que vem aí! pic.twitter.com/1mr3zI5UQg
Durante sua busca por um amigo sequestrado, uma valente garota chamada Lyra descobre uma trama sinistra envolvendo crianças desaparecidas e um fenômeno misterioso chamado Dust.
A CCXP anunciou através de suas redes sociais, que o ator Ryan Reynolds, Michael Bay e o elenco de La Casa de Papel são os novos convidados do evento.
Reynolds e Bay irão promover o filme de ação 6 Underground, enquanto o cast de La Casa de Papel promoverão a terceira temporada do seriado.
Todos os astros estarão na CCXP no dia 08/12/2019 (domingo).
Uns vão combater o crime, outros vão roubar bancos. Antes, todos eles vão dar as caras na #CCXP19. CONFIRMADOS: Ryan Reynolds, Michael Bay e elenco de La Casa de Papel no domingo, dia 08/12. Os ingressos já estão quase acabando. É melhor garantir o seu: https://t.co/2718N2OMucpic.twitter.com/FHeSebY4Jw
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O cineasta M. Night Shyamalan virá ao Brasil em Dezembro na CCXP, para promover o filme Vidro, sequência de Corpo Fechado e Fragmentado, que conta com Bruce Willis, James McAvoy e Samuel L. Jackson nos papéis principais.
M. Night Shyamalan é um cineasta indiano, naturalizado estadunidense. O diretor é a mente por trás de diversos longa-metragens de suspense, que sempre trazem grandes plot twists em suas conclusões, como O Sexto Sentido, A Vila e Sinais.
Após a conclusão de Fragmentado (2017), Kevin Crumb (James McAvoy), o homem com 23 personalidades diferentes, passa a ser perseguido por David Dunn (Bruce Willis), o herói de Corpo Fechado (2000). O jogo de gato e rato entre o homem inquebrável e a Besta é influenciado pela presença de Elijah Price (Samuel L. Jackson), que manipula os encontros entre eles enquanto mantêm segredos sobre os dois.
Glass chega em 17 de Janeiro de 2019 em todos os cinemas do país.
Ele torna a violência, a agressão em uma folha de papel em algo suave como sua arte. David Mack é um dos maiores de sua geração. Em sua visita ao Brasil na CCXP, conversamos com o roteirista, capista e pintor que, inclusive, abriu o jogo sobre futuros projetos:
Vamos começar falando do Demolidor, cuja popularidade se multiplicou nos últimos anos, especialmente desde sua fase com Kevin Smith e, posteriormente, Brian Michael Bendis. Como é mexer com um herói tão cheio de imperfeições e quanto sua fase influenciou as outras mídias (filme, seriado…) ?
É um personagem que pode ser considerado um herói imperfeito desde sua infância, além da marca de “deficiente”, taxada por algumas pessoas. Mas, sua forma única de perceber o mundo torna-se sua vantagem. Então, gosto dessa ideia: Ele é bem diferente por causa disso e se destaca do resto da humanidade por essas experiências [sensoriais] com a realidade. Gosto dessa diferença pois o obstáculo vira uma qualidade e também como o tema da história. Quando comecei minha primeira história [do Demolidor] que o [Joe] Quesada desenhou, ele me pediu para criar um novo personagem e vim com a Echo porque achei que ela seria outro personagem que percebe o mundo de forma única, também transformando desvantagem em atributo. Cada um tem um forte ponto de vista, e quando os une, podemos fazer histórias muito interessantes. A terceira pessoa com fortes pontos desde sua infância foi Wilson Fisk. Assim, gostei muito de fazer a história que considero a origem de Fisk. Aliás, considero esta a primeira história cronologicamente dizendo que fiz sobre o DD. Várias ideias desse número foram parar no seriado em Vincent D’Onofrio, com o martelo, rachaduras na parede, as brigas dos pais… Se você olhar bem, eles usaram até as mesmas cores de roupas dos quadrinhos. Então, algumas partes da minha história foram para a Netflix.
Echo e a origem de Wilson Fisk por David Mack e Joe Quesada em Daredevil nº15. Abril de 2001. (Reprodução: Comixology.com)
Em Demolidor – Fim dos Dias, você apenas fez o roteiro. Como foi dessa vez, salvo algumas páginas, voltar a somente essa função? Tem ambição de regressar ao universo dele?
Claro. Eu amo o Demolidor! Como você disse, comecei fazendo o roteiro do Demolidor e não a arte interior. De fato, na maioria das histórias fui escrevendo, mas há uma que não o fiz e foi esta uma das primeiras que o Brian [Michael Bendis] escreveu para Marvel justo quando mudei para a arte interior. Isso foi basicamente para conseguir um emprego para o Brian como escritor. Era uma grande oportunidade de trabalharmos juntos em um projeto que selasse nossa longa amizade. Também gosto de saber que foi um dos seus pontos de partida na Marvel e fizemos coisas maravilhosas por lá de lá para cá. Então, foi fantástico voltarmos juntos em Demolidor – Fim dos Dias e de quebra, adoro que os artistas sejam Bill Sienkiewicz e Klaus Janson, porque Brian e eu crescemos e aprendemos lendo-os nas histórias do DD quando garotos…
Dois muito influentes artistas do DD!
Muito influentes também em storytelling em geral para mim e Brian. Aprendemos tanto que colocamos em nossas histórias e arte.Trabalhar com esses caras em uma história que eles também trouxeram à vida era um sonho. Agora é real. Desde então estou escrevendo uma sequência para DD – Fim dos Dias com a mesma equipe criativa na medida do possível. Klaus agora é um artista exclusivo da DC, queríamos que ele fizesse parte também, mas provavelmente o Bill vai fazer a maior parte da arte. Essa sequência se chamará Justiceiro – Fim dos dias. Amei escrever o Justiceiro em DD – Fim dos dias e penso que seria ele o ideal a próxima história fluir. Ainda terá os outros personagens da história anterior, onde Ben Urich a fez desenrolar em sua parte urbana mas, obviamente, ele não estaria em uma história subsequente. O Justiceiro então seria sucessor e já trabalhei muito nisso com o Brian antes dele assinar com a DC. Agora vamos ver como vai ser daqui em diante.
Justiceiro em Demolidor – Fim dos dias (Reprodução: comicstore.marvel.com)
Frank Castle é um personagem mais urbano, assim como o Demolidor. Já pensou em fazer quadrinhos com um herói de características mais clássicas?
É uma boa pergunta. Também vejo o Justiceiro e Demolidor como personagens mais “de rua”. Quando escrevo-os, penso que devem permanecer por lá, para manter essa perspectiva de um núcleo do Universo Marvel, por isso foi bom o aspecto em colocar o Ben Urich nessa situação. Há uma parte em que ele quer se encontrar com Os Vingadores, mas eles não se encontram com ele. Nessa história, gosto da limitação entre esses personagens, deixando de lado a parte mais cósmica da Marvel. Apesar disso, eu adoraria fazer uma HQ do Doutor Estranho, Batman ou algo a mais.
Seu trabalho mais autoral é Kabuki. Esta vem de uma cultura estrangeira. Há pintores de alto nível no Japão, como [Ayami] Kojima, Yoshitaka Amano… Como esse sincretismo artístico o influencia?
Essa questão é interessante porque estive recentemente no Japão por duas semanas. Tenho muita influência em meu trabalho de culturas globais e do Japão especificamente em Kabuki. O divertido em roteirizar quadrinhos, fazer arte e até escrever histórias é que não há um dispositivo de desligamento para de onde vem sua inspiração. Você pode constantemente viajar entre diferentes níveis, mundos e, quando leva aos quadrinhos, isso se torna seu laboratório, seu playground para processar tudo que te inspira. Para pegar um pedaço de tudo que faça sentido, e essa é minha área de lazer.
página interna de Kabuki (Reprodução: Davidmackguide.com)
Você hoje é mais um capista. O quanto um roteirista tem poder sobre suas capas e o quão tênue é sua linha para não interferir na arte do miolo, feita por outro desenhista?
Não sei bem o quanto minha arte influencia ou interfere o conteúdo, é mais fácil falar com cada artista em individual. Em alguns momentos no começo de Alias – Jessica Jones fiz alguma arte interior mas eu estava satisfeito de fazer as capas. Em Deuses Americanos, de Neil Gaiman, fico feliz em fazer a arte de capa dessa nova série em quadrinhos assim como em Clube da Luta, de Chuck Palahniuk…
Como é trabalhar com Gaiman?
Fantástico. Fazemos também pôsteres algumas vezes durante o ano, em feriados… inclusive estava fazendo um hoje de manhã no hotel! Este, um pôster promocional. Estou muito satisfeito em estar nessa com Neil. Muito contente de estar em Deuses Americanos e espero fazer mais coisas com ele.
Capa de American Gods: Shadows nº4 (Reprodução: Darkhorse.com)
Falando em autor, há uma história muito engraçada e curiosa porque existe um outro David Mack, que vocês inclusive dividem o mesmo website! Qual é sua relação com ele e como isso funciona?
David Alan Mack é um cavalheiro que escreve livros como os de Star Trek e tenho a honra de dividir meu nome. Há outros “David Macks” por aí, como um que é embaixador do oriente médio. Em geral, tenho uma ótima relação com eles.
Com o outro David Mack, o escritor, considero que seria interessante um trabalho conjunto, fazendo a capas dos livros. Quem sabe um dia…
Um dos grandes lançamentos dos quadrinhos aqui no Brasil no final de 2017 foi com certeza Imobiliária Sobrenatural de Dan Goldman. Publicado pelo Plot! Editorial, o selo de quadrinhos da editora Alto Astral, e lançada oficialmente na CCXP, a HQ conta sobre uma empresa que vende casas desassombradas. Você pode ler a nossa resenha sobre Imobiliária Sobrenatural clicando AQUI.
Dan Goldman é autor de obras aclamadas pela crítica como Shooting War, Priya’s Shakti, 08: A Graphic Diary of the Campaing Trail entre outras. Apesar de ter morado no Brasil alguns anos atrás, Imobiliária Sobrenatural é o seu primeiro trabalho publicado no país.
Um dia, então, Felipe Castilho, editor da Plot! me falou que Dan Goldman estava vindo ao Brasil para lançar a HQ por aqui, e me falou que uma entrevista com o autor poderia ser realidade. Contato feito (obrigado Felipe!), Dan foi super gente boa, muito solícito e simpático, e recebeu as nossas perguntas que você, lindo leitor, pode ler a seguir:
Você está lançando finalmente Imobiliária Sobrenatural aqui no Brasil. E lendo a HQ percebe-se que a história é sobre crises com um tempero fantasmagórico. Crise no mercado imobiliário, crise no casamento, crise pela falta de dinheiro… De onde surgiu a ideiade misturar isso tudo com esse tom de sobrenatural?
Nós vivemos num tempo de crise e senti que está piorando ainda mais. Quero falar sobre isso, porque essas épocas revelam nossas forças e fraquezas… e tudo isso é fonte de um bom drama. Quando um personagem não tem nenhuma outra forma de providenciar para a família ou para a empresa, o leitor entende a essência dele de verdade. É misturando esses dramas universais com coisas sobrenaturais e metafísicas, que a estrutura narrativa se conecta com conceitos que nos abrem as outras maneiras de experienciar a estória.
Foto: Papo Zine
Eu li que existiram planos para Imobiliária Sobrenatural se tornar série de TV ou até mesmo um longa metragem. Ainda existem essas possibilidades? E se viesse a acontecer como você veria a sua obra sendo adaptada para outra mídia?
Sim. Eu estou trabalhando com uma equipe de produtores em Los Angeles para adaptar o série para a tv a cabo. Meu sonho tem sido montar um show com ideias mais profundas sobre a vida depois da morte, amor e consciência em nossa “cultura-pop” (que contém mais pop e menos cultura) que ainda se mantém bem anti-intelectual.
A coisa mais importante para mim é a história, a narrativa. Acredito na ideia da narrativa transmídia que existem entre formas diferentes de mídia ao mesmo tempo (por exemplo, O Matrix)–e sempre penso qualquer forma de mídia servirá melhor a estória e as jornadas dos personagens.
No painel que você participou na CCXP, você falou que tem um projeto que é voltado para o Brasil. Poderia adiantar alguma coisa?
Quero que a história se mantenha em segredo, mas posso revelar que ela irá falar muito de corrupção espiritual nas cidades e nas florestas, a força venenosa do capitalismo, e o retorno dos espíritos nativos meio-esquecidos. Quando morei em São Paulo, gostava de passar meus dias em Sebos, tentando ler e entender alguns livros antigos de lendas e folclores brasileiros. Mas agora, já falei demais.
Você chegou a conhecer algum quadrinho de artistas brasileiros durante a CCXP ou por esse período que está aqui no Brasil?
Encontrei os trabalhos de Marcelo D’Salete em 2011 quando fui convidado para a Rio Comic-Con, e neste ano peguei o livro novo, ANGOLA JANGA, na CCXP. As obras dele são importantes, representando a face afro-brasileira antiga (e moderna) que a mídia nacional prefere ignorar por uma fantasia de ser branco e rico. Conheci também os trabalhos do ilustrador Kako, e dos excelentes quadrinistas Georges Schall, Hector Lima e Felipe Cunha.
Durante a CCXP, conheci as obras de Psonha, de Felipe Castilho e de Tainan Rocha que gosto muito. O show foi gigantesco, e por isso não tive bastante tempo na Artists Alley para conhecer todos os animais mágicos de lá.
Painel do Dan Goldman na CCXP.
Você é um dos grandes nomes no mercado de webcomics. Este segmento não é tanto explorado aqui no Brasil como acontece nos Estados Unidos; por exemplo, a primeira empresa de quadrinhos online, a Social Comics, só apareceu aqui tem dois anos. Com todo o avanço que a tecnologia deu, o mercado evoluiu bem ou ainda tem mais a crescer?
Hoje em dia, eu acho que “webcomics” é uma nomenclatura bem do passado. HQs digitais precisam ganhar um nome novo porque as tecnologias de touchscreen, realidade-aumentada (e virtual, ou misturada) estão crescendo agora, e HQs tem que fazer parte na evolução da forma.
Atualmente você está com um projeto muito bacana, que ainda é inédito no Brasil: Priya’s Shakti em parceria com Ram Devineni e Lina Srivastava. Trata de um assunto bem delicado que é a violência contra as mulheres na Índia. E você esteve naquele país. Quando Priya’s Shakti foi lançado na Índia, inicialmente teve alguma rejeição?
Na realidade, não. Mas eu fiquei nervoso na época – sendo o único não-indiano na nossa equipe – mas foi mais por isso. Durante meses, eu fiz uma investigação cultural para representar a cultura indiana, roupas e artes e deuses deles. Se a cara do meu trabalho fosse inautêntica, a missão do nosso projeto não serviria os jovens, o que era o nosso objetivo.
Felizmente, a primeira HQ foi lançada e rapidamente viralizou, saíram muitas notícias, quando nós fomos para a Índia, fizemos workshops com os jovens e fomos indicados com honras pela UN Women (ONU Mulheres). Nosso segundo livro também foi viral.
Cena de Priya’s Shakti.
Eu fiquei sabendo que cópias físicas de Priya’s Shakti foram distribuídas em escolas rurais na Índia para servirem de projeto piloto para criar consciência em crianças e jovens sobre o mal da violação e sobre como as vítimas de estupro são tratadas. Eu particularmente achei fantástico isso. Era o ponto que vocês queriam chegar ao criarem a HQ?
Absolutamente. Nossa equipe conversou durante nove meses antes de escrever o roteiro: sobre como montar esse projeto e de que forma poderíamos criar consciência nesses jovens. Não queremos apenas criar diversão… queremos transmitir a mensagem do ativismo no mundo real dentro dos quadrinhos.
Você sempre foi bem ligado em política, e isso reflete em alguns de seus trabalhos ao longo da carreira. Você deve estar sabendo do momento conturbado que vivemos aqui no Brasil. Acho que as sucessões de escândalos de nossos políticos dariam até boas HQs. Nos estados Unidos, como você enxerga o início da “Era Trump”? Rende alguma história?
Não quero criar uma obra só contra o Trump. Assuntos políticos são pústulas na pele. Seria mais poderoso montar uma obra contra a máquina global que ele faz. Isso é um câncer de ego e ganância que está infectando todas as nações do mundo. Trump e Temer e nacionalismo e racismo e sexismo são sintomas de problemas muito mais profundos.
Quais são os planos para 2018?
Quero salvar o mundo — e depois, vou dormir.
Para quem não pôde ir à CCXP e quer mais uma chance de comprar Imobiliária Sobrenatural e conseguir trocar um bom papo, na Ugra Press em São Paulo, vai rolar o Plot Day com participação de Dan Goldman, Felipe Castilho e Tainan Rocha (de Realezas Urbanas). Saiba mais sobre o evento AQUI.