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RANX – Edição Integral Definitiva chega ao Brasil pela Comix Zone

A editora Comix Zone iniciou a pré-venda de RANX, um clássico dos quadrinhos capitaneado pelos italianos Stefano Tamburini (roteiro) e Tanino Liberatore (arte). Precursora do movimento cyberpunk, subversiva, erótica e ultraviolenta, tendo como protagonista um anti-herói bizarro, RanXerox era uma criatura mecânica feita de peças de fotocopiadoras Xerox.

RANX nasceu de uma revolução nas ruas, e provocou outra revolução, na cultura pop. Este livro reúne todas as histórias do personagem, incluindo Ai, Robô!, escrita por Jean-Luc Fromental e inédita no Brasil. Ranxerox é um robô bronco e mal-humorado perdidamente apaixonado por Lubna. Vivendo em um mundo pós-apocalíptico em que o consumismo, a violência e o egoísmo são as normas, ele não mede esforços para agradar sua garota. Seja conseguir drogas, gravar um filme na tevê ou estrelar um musical na Broadway, ele fará de tudo para satisfazer os desejos de Lubna ou salvá-la das enrascadas em que se mete.


A princípio o nome era Rank Xerox, uma junção entre as empresas Xerox Corporation (EUA) e a Rank Organization (Reino Unido). Mas devido uma ameaça de ação judicial da Rank Xerox por usar o nome de marca registrada. O nome mudou então para RanXerox, em 1980.

RANX – Edição Integral Definitiva tem formato 21 x 28.5 cm, 192 páginas, capa dura, tem como brinde um sticker exclusivo e a tradução de Rogério de Campos. Adquirindo na pré-venda, você consegue um desconto de 30%.

A edição é imprópria para menores de 18 anos.

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Easy Breezy e Sonhos Pesados são os novos lançamentos da editora Comix Zone

A editora Comix Zone está com duas pré-vendas no site da Amazon Brasil: Sonhos Pesados de Alberto Breccia e Easy Breezy da chinesa Yi Yang. Enquanto Alberto Breccia já é um veterano em publicações no Brasil, a talentosa Yi Yang faz suas estreia em terras Tupiniquins. Mantendo a tradição da editora de sempre trazer autores e histórias de qualidade, mas ainda desconhecidas para o grande público daqui.

Easy Breezy

A história de Easy Breezy se passa em uma pequena cidade no nordeste da China, em meados dos anos 1990. Yang Kuaikuai, um jovem e exemplar estudante do ensino médio, se vê envolvido no roubo de uma van com Li Yu, um valentão da sua classe, e Tio Ya, um trambiqueiro local. No momento de vender o veículo, o trio percebe que uma garotinha estava dormindo no interior e descobre que ela havia sido raptada por um verdadeiro criminoso. O grupo terá então que escapar ao mesmo tempo do sequestrador, disposto a tudo para reaver a pequena Yun Duo, e da polícia, que varre a cidade em busca da garota desaparecida.

Easy Breezy tem formato 15 x 21 cm, 184 páginas e tradução de Fernando Paz.


Sonhos Pesados

Um homem misterioso duvida de sua própria identidade, temendo ser apenas a personificação de um sonho. Três ladrões planejam roubar o tesouro que um ancião esconde em sua casa. Um velho comerciante se encontra com uma mulher que chora desconsoladamente. Sr. Enfield, amigo de Dr. Jekyll, relembra um encontro perturbador com o Sr. Hyde. E em um bairro de Londres, um homem com medo de perder seus bens mais preciosos deve enfrentar uma situação extrema. Em 1981 e em plena maturidade criativa, Alberto Breccia desenvolveu versões livres de clássicos literários como A Última Visita do Cavalheiro Doente, O Terrível Ancião, Mujina, O Médico e o Monstro e A Noite de Camberwell.

Com a colaboração do roteirista Norberto Buscaglia em três dessas histórias, o artista uruguaio ofereceu sua particular interpretação dos imaginários de Giovanni Papini, H.P. Lovecraft, Lafcadio Hearn, Robert Louis Stevenson e Jean Ray através de uma coleção de adaptações literárias nas quais o talento de Breccia brilha em todo o seu esplendor.

Sonhos Pesados tem formato 21 x 28.5 cm, 64 páginas e tradução de Jana Bianchi.

Ambas as edições estão com desconto na pré-venda.

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Malandros, nova graphic novel da Comix Zone, apresenta um momento importante da Argentina

A editora Comix Zone iniciou a pré-venda de Malandros, graphic novel escrita pelo uruguaio Rodolfo Santullo e com artes do argentino Dante Ginevra. A HQ estreia a nova linha na editora com capa cartão e promete ser uma das mais interessantes publicações no Brasil. Principalmente por lidar com um momento histórico na Argentina.

Em 16 de junho de 1955, as forças armadas argentinas bombardearam a Praça de Maio, iniciando assim um golpe de estado e, ao mesmo tempo, realizando uma tentativa de assassinato do Presidente. No entanto, não encontraram Juan Domingo Perón na Casa Rosada.

Como Juan Domingo Perón conseguiu escapar do, que é considerado o maior ataque terrorista da história argentina, que vitimou mais de 300 civis? É o que Malandros conta, em forma de ficção histórica, uma explicação para tal dúvida que até hoje é rodeada de mistérios.

Originalmente publicada nas páginas da revista Fierro entre 2011 e 2014, Malandros rendeu a Rodolfo Santullo o prestigiado Prêmio Trillo de Melhor Roteirista em 2015.

Malandros tem formato 18 x 25.5 cm, 88 páginas e tradução de Jana Bianchi. Adquirindo o seu exemplar na pré-venda na Amazon Brasil, você ganha 30% de desconto.

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A Guerra dos Farrapos, de Tabajara Ruas e Flavio Colin, é a nova publicação da Comix Zone

As editoras nacionais estão realizando um importante resgate histórico da obra de Flávio Colin, um dos grandes nomes e lenda do quadrinho nacional. E agora chegou a vez da Comix Zone com A Guerra dos Farrapos. A obra apresenta um dos momentos mais importantes da história no Brasil.

Escrita por Tabajara Ruas, A Guerra dos Farrapos traça um panorama que contempla os principais aspectos e personagens da guerra civil de 1835, reconstituída no inconfundível traço do mestre Flavio Colin.

A Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha foi a mais longa rebelião do período regencial do Brasil. Ocorreu no Rio Grande do Sul e durou dez anos, de 1835 até 1845, época que compreende a regência de Feijó e o Segundo Reinado. O termo “farrapo” se referia aos trajes maltrapilhos que o exército rebelde usava.

A Guerra dos Farrapos tem formato 21 x 28,5 cm, 88 páginas em preto e branco e acabamento de luxo. A publicação já está em pré-venda no site da Amazon Brasil com um desconto de 30%.

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Pai de Mentira, de Joe Ollmann, chega ao Brasil pela Comix Zone

A editora Comix Zone começou a pré-venda de Pai de Mentira, quadrinho do elogiado Joe Ollmann, que conta a história de Caleb, um pintor de meia-idade com altos e baixos e uma carreira que nunca deslancha. E ainda tem que enfrentar o fato de ser filho de Jimmi Wyatt, um cartunista multi-famoso. E é aqui que reside todo o drama.

O pai de Caleb é autor de Chapa & Chapinha, uma tira sobre pai e filho muito conhecida e adorada pelos fãs. Mas a família perfeita retratada nas tiras, nunca se passou pela realidade pois Jimmi ignorava o próprio filho.

Hoje sóbrio, Caleb é assombrado pelos excessos do passado e briga para ter responsabilidade pelo seu presente – antes que seja tarde demais. Quando tem a chance de sair da sombra do pai e tocar o negócio da família, Caleb toma as piores decisões possíveis e vê sua vida desmoronar. É tarde demais para desfazer o estrago? Estamos condenados a repetir os erros dos nossos pais?

Pai de Mentira tem formato 16.7 x 24 cm, 216 páginas, capa dura e tradução de Érico Assis. Na compra na pré-venda, você consegue um desconto de 30%.

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A Origem que não se sabe de onde vem nem até onde vai

Em sua segunda aposta na bibliografia referente ao mesmo autor, editora Comix Zone retorna ao metafísico mundo do premiado quadrinhista francês Marc-Antoine Mathieu com A Origem, a primeira parte da epopeia de Julius Corentin Acquefacques, o Prisioneiro do Sonhos. Dessa vez, temos uma obra que logo de cara se questiona seu formato e número de páginas da edição nacional, mas pouco tempo depois o que se vê é que quem subestima o volume pelas aparências somos nós, os leitores.

Você realmente tem controle sobre si mesmo e suas atitudes? Pensa que é dono de seu próprio destino ou há alguém superior na hierarquia das ações responsável pelo caminho a ser trilhado? No campo espiritual, diferentes povos e culturas têm representações das mais diferentes formas, mas em todas elas é comum acreditar em uma entidade superior que religiosamente decide sobre nosso futuro, como o próprio Mathieu já refletiu em Deus em Pessoa. Passando pelo campo da vida real, durante diversas fases de nosso desenvolvimento somos apenas subordinados, comandados por nossos genitores, educadores, chefes… portanto, nossa liberdade é muito relativa e, por incrível que pareça, em determinados casos é melhor que assim seja para que liberdade não entre em conflito com libertinagem.

Julius é um funcionário público solteiro com sonhos confusos que vive em uma quitinete e trabalha no Ministério do Humor, responsável pela aprovação das piadas e pegadinhas a serem usadas pela sociedade. Certo dia, recebe em seu escritório uma página em quadrinhos de uma história intitulada A Origem, cujo significado é desconhecido em seu mundo.

IMAGEM: comicboom.com.br

Além disso, a página tem curiosamente como protagonista o próprio Julius. Após a estranha surpresa, Julius continua a receber outras páginas da mesma história, devidamente numeradas e contêm situações referentes ao passado, presente e até futuro do protagonista e pessoas próximas a si.

A edição nacional, apesar de também possuir o genial artifício vistos nas páginas 37 e 38 e seguir um alto padrão com capa dura, papel couché, páginas de guarda, mesma fonte de texto usada em Deus em Pessoa e etc., inicialmente assusta por conter apenas um tomo de uma saga publicada desde 1990 e que, até o momento, conta com sete volumes lançados em seu país de, ironicamente, origem. Dessa forma, é natural que se questione porque a Comix Zone não decidiu por compilar mais de um capítulo por edição, assim diluindo os custos de produção e venda. A resposta é simples, apesar de incomum: um número maior de páginas por edição prejudicaria a proposta principal da história, dada a metalinguagem oferecida pelo autor na narrativa. Tais dúvidas renderam inclusive um vídeo no canal oficial da editora, explicando exatamente o porquê de tudo isso.

Assim, a conclusão da leitura de A Origem deixa o leitor já ávido para a leitura do próximo capítulo da saga, que inclusive já foi anunciado pela editora brasileira e tem previsão de lançamento para julho de 2022. Intitulado O Processo, este é na verdade o terceiro capítulo da saga, fazendo propositalmente a a editora brasileiro pular o capítulo dois, batizado originalmente de La Qu…, assim não seguindo a ordem original de publicação. Mais uma vez a surpresa nos acerta em cheio: a saga não obedece necessariamente uma ordem cronológica de leitura, por isso mesmo cada parte pode ser publicada quando for, independente da sequência original.

IMAGEM: comicboom.com.br

Temos uma obra altamente recomendada para quem procura por novas experiências, pois é exatamente o que aqui será encontrado, tal qual em narrativas gráficas como Imbatível, de Pascal Jousselin ou Building Stories, de Chris Ware. É esperar para ver o que mais nos espera na intrigante jornada de Julius Corentin Acquefacques.

Prisioneiro dos Sonhos Vol. 1: A Origem
Marc-Antoine Mathieu (roteiro e arte)
Fernando Paz (tradução)
Comix Zone
Capa dura
48 páginas
28,5 x 20,5 cm
R$72,50
Data de publicação: 06/2022

 

 

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Julius Corentin Acquefacques, Prisioneiro dos Sonhos é o novo lançamento da Comix Zone

A editora Comix Zone é especialista em trazer trabalhos de autores inéditos no Brasil. Um desses autores foi o francês Marc-Antoine Mathieu, que, pela editora, debutou com a elogiada Deus em Pessoa (2021). Agora chega Julius Corentin Acquefacques, Prisioneiro dos Sonhos.

Dividido em dois volumes, A Origem (primeiro volume) e O Processo (segundo volume), conhecemos o funcionário do Ministério do Humor, Julius Corentin Acquefacques que leva uma vida tranquila no poço do elevador que abriga tantas pessoas nesta era de superpopulação. Mas um dia, o protagonista descobre que seu futuro está escrito… em uma página de quadrinhos! Repleta de proezas conceituais e de experimentações sobre a própria materialidade do livro, Julius Corentin Acquefacques, Prisioneiro dos Sonhos apresenta uma história em quadrinhos que torna-se em si mesma, por meio de sua materialidade livresca e do desenho que a compõe, origem das aventuras e reviravoltas do protagonista e de seus companheiros.

 

Já no segundo volume, após seu relógio de parede ficar acidentalmente adiantado, Julius Corentin Acquefacques mergulha em um novo turbilhão de aventuras kafkianas: perdido em seu sonho, ele se torna um viajante em sua própria história… prisioneiro de uma terceira dimensão!

Julius Corentin Acquefacques, Prisioneiro dos Sonhos, tanto A Origem quanto O Processo tem formato 28,5 x 20,5 cm, 48 páginas, capa dura e tradução de Fernando Paz.

 

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Nem Todo Robô e Taxista chegam ao Brasil pela Comix Zone

A Editora Comix Zone está com dois lançamentos na área, sendo um deles pré-venda. E um deles tem brasileiro renomado nos quadrinhos envolvido. Nem Todo Robô tem arte do Mike Deodato Jr. e roteiro de Mark Russell. Já o outro lançamento é a esperada Taxista de Martí Riera.

Nem Todo Robô

A sátira sci-fi escrita por Mark Russell e com desenhos de Mike Deodato Jr., ambienta-se no ano de 2056, uma época em que os robôs substituíram os seres humanos como mão de obra. A coexistência entre robôs, com a inteligência recém conquistada, e os dez bilhões de humanos da Terra é tensa. A cada família humana é designado um robô, do qual elas se tornam dependentes. Conheça os Walter, uma família humana cujo robô, Navalhoide, passa seu tempo livre na garagem da família – fazendo máquinas que os Walter estão crentes que ele vai usar para assassiná-los.

Nem Todo Robô tem acabamento de luxo, capa dura, 120 páginas coloridas e tradução de Érico Assis.


Taxista

Criado por Martí em 1982 e originalmente publicado nas páginas da revista El Víbora, conhecemos o taxista Cuatroplazas, que desbrava a selva miserável dos subúrbios operários de Barcelona, à bordo do seu corcel, em busca de sua herança, surrupiada por uma família de degenerados. Assim como Travis Bickle, personagem interpretado por Robert de Niro em Taxi Driver, Taxista é um anjo expiatório que percorre o caótico labirinto dos vícios humanos pronto para castigar os malfeitores com seu relâmpago redentor. Com ele, as noites são curtas e os coveiros não têm folga.

Taxista tem formato 21 x 28.5 x 2 cm, 160 páginas, acabamento de luxo, capa dura e tradução de Jana Bianchi.

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Era outra vez como se fosse a primeira

Não eram para serem contadas em livros repletos de ilustrações meigas, teatros de fantoches, filmes destinados ao público infantil e nem de longe em rodas de sala de aula do jardim de infância. Provenientes da oralidade baseada em mitos e superstições, as fábulas originais tinham como principal objetivo trazer medo e alertar sobre os riscos do cotidiano de uma época em que as florestas escuras reinavam sobre a terra.

Sim, os Irmãos Grimm te enganaram mais vezes que seus familiares quando prometiam comprar para você aquele brinquedo da vitrine quando estivessem já no caminho de volta para casa. Mas pense no lado bom: ao menos você, diferente dos contos originais, provavelmente não foi violentado por aproveitadores que se passavam por “príncipes encantados” ou mutilado por animais selvagens ao se perder em uma vegetação densa que engolia subitamente quem ousasse adentrá-la. Ao menos espero eu que não tenha chegado perto de passar pelas mesmas situações, pois Era Outra Vez – O Lado Sombrios dos Contos de Fadas resgata parcialmente os elementos originais de histórias tradicionais e aqui nem sempre o final é feliz.

IMAGEM: amazon.com.br

Com trabalhos que vão de 3 a 14 páginas, cada um dos cinco capítulos contém uma trama já muito conhecida para leitores habituais ou apenas ouvintes: João e Maria, Cinderela, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida aparecem exatamente nessa ordem no recorrer do volume e todas são individualmente dedicadas pelos autores Carlos Trillo e Alberto Breccia a alguém e sendo colegas de profissão a maioria dos homenageados, como Horácio Altuna, Carlos Killian e Enrique Lipszyc, este último o fundador da Escola Panamericana de Arte e Design, situada em São Paulo – SP.

É precisamente nas duas habilidades lecionadas pela escola do citado amigo dos autores que Era Outra Vez… chama mais atenção: aqui, a arte de Breccia ultrapassa a abstração vista em Buscavidas e atinge sua fase mais expressionista. As figuras disformes e subjetivas que compuseram o quadrinho anterior da mesma dupla e também lançado pela Comix Zone agora ganham cores intensas e gritantes, unidas a uma textura que tergiversa o reconhecimento usual de ser apenas em duas dimensões. Aliado a técnicas mistas como colagem de tecido e preenchimento com outros materiais, o traço do uruguaio mais argentino das HQs marca o papel com ideias lançadas por ele inicialmente em 1979, mas que se tornariam recorrentes apenas muito tempo depois nas mãos de artistas como David Mack e Dave Mckean.

Diferentes técnicas de colagem por Breccia, Mckean e Mack. IMAGENS: Amazon, Pinterest e Dark Horse

Assim, Trillo e Breccia relatam contos de um pai que deliberadamente força seus filhos a se perderem na mata fechada em troca de favores sexuais prometidos por sua atual esposa, crianças que comemoram o assassinato de sua madrasta, uma garota pobre que em busca de realizar o sonho de encontrar o amor de sua vida aceita ser explorada por um programa de televisão, dentre outras trágicas desventuras que acabam por trazer o conteúdo da publicação para um lado bem mais próximo do cotidiano do que se poderia esperar. Apesar de ser inicialmente surpreendente, fica notório que a semelhança com os tempos atuais também era intencional por parte da dupla criativa, já que determinadas referências ao período de publicação original saltam aos olhos do leitor em alguns capítulos.

IMAGEM: amazon.com.br

Dando continuidade à sua biblioteca argentina de histórias em quadrinhos, a Comix Zone segue seu molde de publicação com formato 21×28,5 cm, papel offset, capa dura e lombada, além do recorrente marcador de páginas como brinde. Deve-se destacar também o trabalho feito na capa do volume, de nível superior à edição original lançada na Itália em 1981 pois não só Era Outra Vez… como outros lançamentos de quadrinhos argentinos que chegaram em massa às nossas livrarias e comic shops nos últimos anos não têm uma ilustração original designada para ser sua capa, uma vez que muitas dessas histórias foram publicadas  originalmente em revistas junto à outras HQs da época.

A leitura de Era outra Vez… é rápida e satisfatória. Mesmo distante de ser uma obra-prima, ainda mais considerando a extensa bibliografia dos autores, temos uma publicação indicada não só aos entusiastas habituais de histórias argentinas ou seus quadrinistas envolvidos, mas também para os que procuram uma visão diferente da que já estamos acostumados para os contos aqui reunidos.

Era outra Vez – O Lado Sombrio dos Contos de Fadas
Carlos Trillo (roteiro)
Alberto Breccia (arte)
Jana Bianchi (tradução)
Audaci Junior (revisão)
Comix Zone
Capa dura
64 páginas
21×28,5 cm
R$79,90
Data de publicação: 02/2022

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Quase nada é o que parece ser em A Mão Verde

Com o que você sonhou hoje? Muitos precisarão de um bom tempo para responder a essa pergunta e mesmo assim terão dificuldades. A conclusão para tal questionamento em alguns casos pode até ser clara, mas a maioria dos relatos é imprecisa, nebulosa ou até impossível de se recordar. Sonhos podem significar muito ou serem apenas uma forma de nossas mentes experimentarem o que ainda não provamos na realidade, e muitas vezes sequer chegaremos a vivenciar.

A Mão Verde, lançamento da Comix Zone, bebe justamente nessa água: de navegar por correntes sinuosas em que não se sabe ao certo até onde vão chegar. Durante o período de maior experimentalismo psicodélico da História da humanidade, Édith Zha e Nicole Claveloux entregam diversas narrativas curtas, despretensiosas e de arte espetacular. Embora nenhum capítulo ultrapasse 10 páginas, sua técnica de desenho que mistura tinta guache e aerógrafo demonstram uma inovação para a época que a coloca em um patamar revolucionário de obras como Saga de Xam e Kris Kool.

IMAGEM: Amazon.com.br

Porém, mesmo com o seu primoroso traço e maestria no uso de cores, que conquista a atenção de todos os que encaram suas páginas, tal nova possibilidade de contar histórias mostra em seu cerne ainda uma inconsistência relativa ao conteúdo expresso. No primeiro capítulo, exatamente o que dá título ao livro, temos uma conversa de apartamento entre uma mulher e uma ave a respeito de um vegetal capaz de se comunicar com ambos; Em A Noite Branca, a mesma protagonista visita o museu em que aparentemente trabalha e conversa com vários dos itens expostos por lá; Já no tomo O Medo Azul, a ave residente do apartamento, cansada de sua vida encastelada, busca liberdade ao sair da moradia que funciona como uma espécie de gaiola para o personagem, mas seus planos não são bem-sucedidos e ele volta ao seu endereço habitual.

IMAGEM: Comix Zone

Grande parte das histórias, principalmente as cinco primeiras –publicadas na revista Metal Hurlant no decorrer do ano de 1978– são praticamente ininteligíveis, justamente nos capítulos em que a parceria entre Edith Zha e Nicole Claveloux está presente. O resultado, como o próprio prefácio da edição, assinado por Jean-Louis Gauthey afirma, entrega “páginas suntuosas de narrativa desconcertantes [sic]”. Assim, denota-se que não há o que ser compreendido em sua essência, e sim somente apreciar um conjunto de ideias expostas. Apesar disso, tais capítulos se completam em única narrativa.

As seis últimas, criadas apenas por Claveloux e publicadas originalmente no periódico Ah! Nana são a priori mais palatáveis, muito pela maioria destas serem baseadas em contos famosos, mas o expressivo surrealismo ainda está presente e torna histórias como Pranca de Nefe e A Imbecil e O Príncipe Encantado experiências diferentes até para os que já conhecem tais fábulas desde antes de aprenderem a ler.

IMAGEM: Comix Zone

Tamanha petulância é proposital por parte das autoras? Provavelmente nunca saberemos, uma vez que, assim como em nossos sonhos, nem tudo é feito para ter uma explicação precisa. Por exemplo, há quem até hoje tente entender alguma ideia central que conecte todo o conteúdo de Um Cão Andaluz, curta-metragem de Luis Buñuel e Salvador Dalí, quando, na verdade, os próprios autores em vida afirmaram que a película consiste apenas de ideias soltas e desconexas. Apesar dos pesares, a confusão encontrada em A Mão Verde acaba não comprometendo o prazer de apreciar a história, desde que não se espere grandes explicações no decorrer das páginas e assim cada leitor pode chegar a uma conclusão diferente do que foi lido.

A edição da Comix Zone, baseada claramente na versão publicada em 2019 pela editora Cornélius, segue o padrão da maioria dos títulos já lançados pela editora, com formato álbum 21×28,5 cm em capa dura, lombada e com um bookplate não autografado como brinde. Além disso, temos o já citado prefácio composto por nove páginas introdutórias com texto e ilustrações que cumprem de forma necessária sua função de apresentar ao público a biografia de duas autoras as quais, mesmo com suas inovações narrativas, ainda eram nomes inéditos no mercado brasileiro. A parceria entre as autoras ainda se repete em Morte Saison (Fora de Época, em tradução livre) que, assim como A Mão Verde, contém histórias curtas e foi relançado na França em 2020 também pela Cornélius.

A Mão Verde não é uma antologia de fácil leitura e não se deve esperar uma compreensão direta de seu conteúdo. A obra como um todo serve melhor como uma coletânea de ideias e possibilidades de se expressar, e por isso é aconselhável que sua leitura deva ser feita da forma mais despretensiosa possível, com o mesmo intuito que tentamos interpretar até mesmo nossos devaneios mais próximos da narcolepsia, por mais absurdos que pareçam ser.

A Mão Verde e Outras Histórias
Édith Zhan (roteiro)
Nicole Claveloux (arte)
Fernando Paz (tradução)
Audaci Junior (revisão)
Comix Zone
Capa dura
96 páginas
21×28,5 cm
R$89,90
Data de publicação: 03/2022