Para quem não conhece ou não lembra, a Freeform ficou conhecida por exibir uma série que fez muita gente de trouxa: Pretty Little Liars. Neste ano, especificamente entre abril e junho, a emissora colocou Cruel Summer em sua grade de programação. Com uma temática voltada para o mistério, o fantasma de Pretty Little Liars veio assombrar para trazer uma grande dúvida na cabeça do telespectador: Cruel Summer valeu a pena ou era só uma armadilha? Eu digo com toda a certeza que valeu muito a pena ter assistido.
Cruel Summer acompanha a pequena cidade fictícia de Skylin, no Texas, onde a linda adolescente popular, Kate Wallis (Olivia Holt), é sequestrada sem deixar vestígios. Em 1995, uma garota tímida e nerd chamada Jeanette Turner (Chiara Aurelia), aparentemente sem nenhuma ligação a Kate, deixa de ser vista como uma doce garota e muda de personalidade completamente. Jeanette, aos poucos, assume tudo em relação a vida de Kate, os amigos, o namorado, a vida social, e acaba se tornando a menina mais popular da escola. Teria Jeanette uma conexão com o desaparecimento de Kate?
A sinopse conseguiu transmitir o mistério que pairou em seu ano de estreia sobre o que aconteceu com Kate e a provável culpada disso, pois o outro objetivo alcançado pela sinopse foi criar uma única suspeita: Jeanette. Tudo parecia muito óbvio, porém a série mostrou com maestria a clássica frase: Nem tudo é o que parece.
Esse mistério se tornou trilateral quando tiveram a excelente ideia de fragmentar a história em três anos:
- 1993 mostrando a rotina normal das meninas em seus círculos de amizade e família. Aqui as cores das cenas estavam vivas e sempre tinham cenas ensolaradas como reflexo da áurea boa dos personagens;
- 1994 começou a pesar no drama do desaparecimento repentino de Kate e o ambiente passou a refletir essa situação: O ensolarado não dava mais o tom e no seu lugar veio uma camada mais fria e o ambiente foi ficando cinza. As principais relações estavam fragmentadas e não era mais a mesma coisa. Mesmo assim, Jeanette estava tendo o seu momento ao sol através de uma mudança radical;
- 1995 pesou ainda mais nessa camada mais fria e a paleta azulada chegava a sufocar pela sua densidade. A fagulha de esperança estava quase apagando e todos ainda estavam lidando com as consequências do desaparecimento.
Apesar dessa boa intenção em trazer uma dinâmica diferente para montar esse quebra-cabeça, alguns episódios ficaram confusos na montagem dos eventos 94-95. Principalmente quando começou a apresentação da perspectiva de Kate, mas prestando atenção nos detalhes acaba se localizando sem problemas.
O problema da primeira temporada ter tido dez episódios foi ter permitido que a trama ficasse arrastada em determinados momentos, causando então um certo cansaço e pressa por respostas relevantes.
O conceito de inocente e culpada apresentado em Cruel Summer fez-me lembrar da novela A Favorita, exibida pela Rede Globo entre 2008 e 2009. A trama também mostrava a dualidade de duas personagens principais (Donatela e Flora) e o público bancava o detetive para descobrir quem era a vilã e mocinha. Revelação esta que aconteceu eventualmente no folhetim das nove.
A série foi até mais fundo nisso: Kate e Jeanette conseguiram apresentar os dois lados da moeda em ambas. Não eram totalmente culpadas, porém também não eram inocentes. Suas atitudes questionáveis andavam de mãos dadas com as mais louváveis. Não posso dar muito spoiler, mas tem outra personagem que fecha essa trindade de personagens cinzas. Sem falar que as interpretações de Olivia Holt e Chiara Aurelia ajudaram bastante que o público se identificasse com o sofrimento das duas ao longo da série.
Resumo do mistério: Mesmo com deslizes comuns, a primeira temporada de Cruel Summer apresentou uma trama consistente e atraente com essa narrativa misteriosa. Com a segunda temporada confirmada pela Freeform, fica o hype para saber como será a próxima trama e torcer que não faça a gente cair no mesmo conto de Pretty Little Liars.
Ah, o último episódio tem uma cena extra.
Nota: 4/5
Cruel Summer está disponível no Amazon Prime Video.