”O desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 km² em junho, um aumento de 88% em comparação com o mesmo mês no ano passado. Os dados consolidados do mês foram inseridos nesta quarta-feira (3) no sistema Terra Brasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).”
O fragmento acima envolve a mais recente notícia envolvendo esta prática enraizada há décadas e que acomete completamente toda a fauna, flora e comunidades indígenas que habitam as principais regiões. A todo instante, estamos sendo bombardeados com a degradação do meio ambiente e suas principais consequências. A humanidade avança, mas recua. Acelera, mas desacelera. Evolui, mas regride. O Homo sapiens categoriza como a espécie mais teimosa que se tem história. Existem vários documentários e filmes que abordam este tema, mas estou aqui para falar da nova série exclusiva para o Globoplay.

Aruanas conta a história de uma ONG Aruana (sentinela da natureza em tupi) criada por três amigas para proteger o Meio Ambiente. A partir de uma denúncia anônima, as protagonistas – a jornalista Natalie (Débora Falabella), a advogada Verônica (Tais Araújo), a ativista Luiza (Leandra Leal) e a estagiária Clara (Thainá Duarte) – investigam a ligação entre uma poderosa mineradora e garimpos ilegais na cidade fictícia de Cari, na Amazônia. Ali, elas entram em conflito com Olga (Camila Pitanga), uma lobista que ajuda a mineradora a explorar uma reserva ambiental, a fim de expandir o negócio.
Se não fosse pelo elenco feminino já visto em novelas e produções da Rede Globo, poderia ser muito bem uma notícia real. Ativistas, garimpeiros e grileiros (o termo grilagem vem da descrição de uma prática antiga de envelhecer documentos forjados para conseguir a posse de determinada área de terra) vivem num pé de guerra frenético que deixa um rastro sanguinolento num caminho marcado pela falta de fiscalização no sistema de terras.

O trio principal já mostrou nesse episódio Piloto que possuem muito a oferecer em seus respectivos papéis e já deixo o destaque para Leandra Leal como a ativista Luiza Laes. A atriz conseguiu se sobressair justamente por ter sido a agente de campo para receber o dossiê de Otávio e com isso, iniciando todo o plot principal. Se o nível continuar deste jeito, veremos atuações maravilhosas de Leal. Assim como de Taís Araújo e Débora Falabella. Não podemos esquecer de Thainá Duarte como Clara começando de forma tímida, porém pode surpreender.

Para um contador de histórias conseguir atrair o seu público, ele precisa dar peso à sua história. A exemplo disso, a série recebe a atenção merecida ao expor protestos reais em prol ao meio ambiente e captura de forma muito positiva essa atmosfera mais crível. Greenpeace é mundialmente conhecido por sua missão de proteção ao planeta, onde denunciam os crimes ambientais e confrontam os governos.

Luiz Carlos Vasconcelos encarna o antagonista Miguel Kiriakos, sendo o responsável pelos garimpeiros trabalhando no meio da mata. O personagem não atua sob uma máscara de bom samaritano. Sabemos de sua índole e suas intenções ao ignorar os sábios da natureza para a construção do garimpo ilegal. O desenvolvimento e progresso não podem parar, não é mesmo?

Em seu primeiro episódio, Aruanas apresentou o mundo das atividades ilegais que põem em grave risco toda a nossa biodiversidade e a tendência é continuar tocando forte nessa ferida. E isso é bom demais. Precisamos parar e prestar atenção no alerta que esta produção pretende passar não só para os brasileiros, assim como para o mundo todo. Até porque, a mensagem é poderosa e real.
A galeria abaixo apresenta imagens reais de regiões desmatadas.
A primeira temporada de Aruanas terá 10 episódios e pode ser vista pelo Globoplay.