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A inclusão na Nona Arte! Conheça 5 Quadrinhos sobre Deficiência Intelectual e Autismo

Deficiência Intelectual costuma ser um tema raramente abordado em mídias tradicionais.  Geralmente quem é acostumado a falar sobre isso, ou convive com quem possui, ou trabalha com serviços voltados para o assunto.

Eu poderia somente vir aqui e dizer que precisamos de mais materiais voltados para o tema, mas não é esse o objetivo do texto, é pertinente deixar bem claro, que por mais leituras que a gente realize, só conseguimos aprender o que é a deficiência de verdade, quando convivemos com ela, seja direta, ou indiretamente.

Mas mesmo dizendo isso no parágrafo anterior, eu ainda arriscaria dizer que existe mais um meio de sentir e nos colocar na pele de quem possui ou convive com a deficiência intelectual. E como o título já diz, estamos falando sobre os quadrinhos.

Do dia 21 ao dia 28 de Agosto desse ano, acontece a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual, e claro, aproveitando esse gancho, separamos aqui 5 obras que te ajudam a entender, e até mesmo, sentir na pele tudo que esse assunto nos trás.

Turma da Mônica: Um Amiguinho Diferente

Capa da Edição

Nada melhor iniciar a nossa Lista com quem nos ajudou (pelo menos a grande maioria dos atuais leitores Brasileiros) a iniciar nos quadrinhos desde a infância, o grande Maurício de Souza.

No ano de 2001, ele foi convidado para desenvolver um projeto com o objetivo de alertar a população sobre os sintomas do autismo. E com alguns meses e bastante trabalho, foi criado mais um personagem da Turma da Mônica, o André.

No seu primeiro quadrinho, o André, de forma indireta conseguiu passar diversas informações sobre o autismo e o melhor de tudo, de um jeito claro e lúdico, de modo que crianças e seus familiares conseguiam compreender, de forma natural e sem preconceitos, do que se tratava o espectro.

Além do quadrinho, também foram criadas seis vinhetas de desenho animado, que alertam pais, familiares e professores para a importância do diagnóstico precoce e esclarecem o comportamento que deve ser adotado com a criança autista.

A turma da mônica sempre foi um grande exemplo de inclusão e representatividade. Além do André dentro do bairro do Limoeiro temos o Humberto, que é um menino mudo, a Dorinha que é uma menina cega, o Luca que é um menino cadeirante, e também a Tati que é uma deficiente intelectual com síndrome de Down.


A Vida Com Logan

Capa do Quadrinho

Também nacional, A vida com Logan nos mostra um pouco do cotidiano de uma criança com Síndrome de Down. Crenças limitantes são desfeitas dentro do quadrinho que é escrito por nada menos que o pai do Logan. Sim… o Logan é real! E é filho do quadrinista Flávio Soares, que graças a convivência com o filho, nos consegue passar uma ideia diferente de tudo que estamos acostumados a ouvir sobre o que é a Síndrome de Down.

Além de todas as aventuras e emoções no quadrinho, conseguimos também muitas informações sobre a Síndrome no final da obra e inclusive fotos do verdadeiro Logan.


A Diferença Invisível

Capa do Quadrinho

Saindo um pouco dos nacionais, chegamos a um quadrinho publicado pela Editora Nemo, que como de costume foge de todo o Mainstream.

A Diferença Invisível acaba trazendo, além de toda informação sobre o Autismo, uma história de descoberta. Já que a Francesa Marguerite, protagonista do quadrinho, após muito tempo se sentindo deslocada, consegue entender o porque de toda a angústia que sentia.

Há um tempo publicamos aqui uma resenha sobre esse quadrinho (Clique aqui para ler) e para não perder muito a graça da leitura do texto em si, sugiro que clique no link e aproveite mais a fundo a obra de arte que ele é, e consiga entender a importância da mistura de cores juntamente do desenvolver da história.


Bim, Um menino Diferente

Capa da edição

Voltando ao nacional, mas não deixando de inovar, trazemos um quadrinho simples (à primeira vista), não muito conhecido, mas de grande importância para o mundo dos Quadrinhos. Bim, Um menino diferente retrata a vida de um menino com Paralisia Cerebral, e consegue provar, que apesar de todas as suas dificuldades, ele consegue ser uma criança feliz.

Bom… Lendo a sinopse, daria pra pensar que seria mais uma história clichê de filmes de sessão da tarde presente nos quadrinhos. A diferença está em quem escreveu o quadrinho. Bim acaba se tornando um autorretrato do autor Fábio Fernandes, que possui paralisia cerebral e mesmo com todas suas limitações publicou o seu primeiro quadrinho e se inseriu no mundo editorial.


Não era Você que eu esperava

Capa da Edição

Finalizando a nossa lista, Não era você que eu esperava acaba sendo um dos quadrinhos mais emocionantes e que mais nos toca sobre o assunto tratado.

Fabien Toulmé narra e desmistifica, com bastante emoção e delicadeza, sua experiência com sua filha que possui Síndrome de Down. O ponto principal no quadrinho, ao meu ver, nem seria somente a deficiência em si, mas todo o contexto extremamente bem trabalhado, e as ocorrências na vida de todos que estão ao redor da família do protagonista. Acredito que essa obra deveria ter um espaço na coleção de todos, não somente pelo tema, mas sobre todo o modo em que ela é contada.

Eu até gostaria de falar mais sobre ele por aqui, mas como no caso de A diferença Invisível, também temos um texto muito bom e bastante detalhado sobre o quadrinho aqui na torre, que não precisa de nenhum complemento (Clique aqui pra conferir).


Finalizamos a nossa lista, mas espero que nunca finalizemos a luta por toda essa causa, se você conhece algum deficiente intelectual, se informe, interaja e utilize todo esse super poder que nos foi dado chamado inclusão. Uma excelente semana da Deficiência intelectual para todos e até a Próxima.

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Resenha | A Diferença Invisível

A Diferença Invisível é uma história tocante, interessante e didática. Todos os dias interagimos com alguém. De forma automática dizemos “como vai?“, perguntamos se “está tudo bem?” e temos como resposta (por nossa parte ou dos outros) um “tudo!“. Mas o que é esse tudo? Ele existe mesmo?

Por mais que pareçam fortes do lado de fora, por dentro muitas pessoas pedem ajuda. Marguerite é mais uma francesa: Tem seu emprego, namorado, bichos de estimação, tarefas diárias, cuida de sua vida… mas ainda assim se sente desencaixada do resto.

Ela tem dificuldades em realizar ações que para muitos são simples, como se relacionar com colegas de trabalho, viajar, ir à festas, usar roupas de determinados tecidos e até um despertador. Não entende piadas e um fim de semana longe de casa já é um estorvo. A solução encontrada durante grande parte de sua vida foi viver em seu casulo. Mas um casulo, apesar de protetor, é frágil. Em algum momento se quebra e é necessário encarar o que há fora dele.

Graças à esse déficit social Marguerite descobre que tem a Síndrome de Aspenger, uma variação do autismo. Ela não se abate com isso. Finalmente ela está livre e se sente levada a sério e a partir daí começa a se redescobrir.

Todas estas dificuldades vividas por Marguerite e mais de 70 milhões de pessoas ao redor do mundo são apresentadas em A Diferença Invisível, publicada no Brasil pela Editora Nemo. A obra traz ilustrações de Mademoiselle Caroline e roteiro de Julie Dachez, que é ninguém menos que a própria protagonista Marguerite.

O número total de autistas equivale a 1% da população mundial. A sua perseverança mostra que não há o que é impossível de se fazer, se sim de ser feito de alguma outra forma. A vida para muitos precisa ser adaptada, e é assim que se segue. Assunto que, aliás, é pouco visto em HQs. Para quem é interessado em pesquisar sobre situações similares, a HQ Parafusos publicada em 2014 pela Editora Martins Fontes segue esta linha.

O uso de cores (que no início da HQ limita-se ao preto, branco, cinza e vermelho) vai se diversificando ao longo da história a cada nova descoberta de si mesma feita por Marguerite. Sua vida agora é outra: mais colorida, apropriada e dinâmica. O traço leve e simples de Caroline denota o tom direto de como o assunto é tratado na obra.

Um anexo chamado O que é Autismo? ao fim da edição esclarece também outros ponto importantes da síndrome. Dachez se tornou uma grande pesquisadora sobre o assunto. Vários textos e trabalhos seus podem ser consultados em seu blog http://emoiemoietmoi.over-blog.com/ (em francês) que ajudam principalmente a quem ainda tem dificuldade em se adaptar a este novo mundo que se revela para cada um deles. No Brasil também há instituições que trabalham para entender, identificar, tratar e a conviver com a situação, seja este indivíduo o diagnosticado ou pessoa próxima, e informações podem ser consultadas em http://autismobrasil.org/por exemplo.

A edição da Nemo não foge do padrão adotado em outras publicações da editora, em formato 24 x 17 cm e 192 páginas com papel offset encadernado em brochura com orelhas e com edição e conteúdo muito fiel à publicação original com preço sugerido de R$44,90, com sua distribuição destinada à livrarias e lojas especializadas. Vale a pena a descoberta, seja você Marguerite ou qualquer outra pessoa.