Na última sexta-feira (10), a Netflix adicionou no catálogo o seu mais novo filme dramático com Sandra Bullock no papel principal e com outros rostos conhecidos em seu elenco. A trama traz a tentativa de Ruth Slater (Bullock) em reencontrar sua irmã após ter cumprido pena por assassinato e assim restabelecer esse laço familiar após 20 anos. Ou tentar.
A sinopse não apresenta nada original, porém o diferencial é como essa história está sendo contada e com quem. Imperdoável poderia ter sido um marasmo completo, mas teve uma grande ajuda para garantir a atenção do espectador.
A interpretação de Sandra Bullock foi sensacional do início ao fim e considerei como a pessoa responsável por ter deixado a história ainda mais agradável. O visual abatido e sem maquiagem de Ruth nos entregou como a personagem tinha preocupações mais urgentes para tratar do que andar toda deslumbrante como a Miss Simpatia. Sua expressão vazia foi outro ponto notável de sua atuação para mostrar as marcas de uma vida encarcerada devido ao seu crime. Apenas uma consequência de seus atos passados.
A atriz também conseguiu passar ao telespectador que sua personagem merecia uma segunda chance e reconstruir a sua vida ao recuperar o tempo perdido com sua irmã. Isso foi fácil, mas tentar convencer os pais adotivos de Katherine foi a parte mais difícil nessa trajetória. Como todo o clichê esperado em produções assim, criou-se uma atmosfera de medo e desconfiança em puxar a filha para memórias traumatizantes de sua vida antes da adoção. A cena da conciliação é o belo exemplo de embate entre os três personagens envolvidos (Ruth, Rachel e Michael). Tendo uma Bullock destacando-se com a Ruth explosiva e desesperada nessa tentativa de ter a irmã de volta em sua vida.
O elenco de apoio é composto por figurinhas carimbadas no universo televisivo e cinematográfico da Marvel/DC, tendo então Viola Davis, Vincent D’Onofrio e Jon Bernthal. Os três contracenaram com a personagem principal, porém não conseguiram roubar a atenção necessária do público. O foco continuou sendo na Ruth e apenas na Ruth. Isso foi o que acabei percebendo enquanto assistia. Só notarmos que o tempo de tela de Viola, por exemplo, é bem contido e intercalado. Não a vemos de forma constante, porém destaco o diálogo dramático entre Liz e Ruth. Jon até aparece mais um pouco por interpretar um colega de trabalho de Ruth. Já o Vincent possui um papel a desempenhar na trama, mas depois desaparece.
É nesse diálogo entre as duas personagens que tivemos o twist da história, mas olhos mais atentos podem ter matado a charada antes da revelação ter sido feita. Só me dei conta dessa virada instantes antes de apresentarem a última peça que faltava desse importante quebra-cabeça. Antes disso, o flashback era apresentado em pequenos frames sobre o dia fatídico. Claro que já dava para ter uma ideia do que aconteceu, então esses cortes não eram tão chamativos. Apenas esse último corte merecia a nossa atenção total.
O plot de vingança foi a cereja clichê desse bolo e sigo com a opinião de que não precisava ter inserido na trama. Uma vez que podiam ter trabalhado tranquilamente com as ideias apresentadas e assim acabariam tendo mais tempo de tela para serem desenvolvidos. Ao menos rendeu um diálogo bacana sobre como lidar com o luto e as consequências de uma atitude desesperada.
Para os amantes de dramas sobre segunda chance, Imperdoável é a melhor pedida atual no catálogo do streaming vermelho. Vale muito a pena ver toda a entrega de Sandra Bullock na construção de uma personagem corroída pelo fantasma de seu crime. Mostrando como o passado condena e mesmo com o presente sempre lembrando de seu pecado, nada impede que a redenção seja construída a pequenos passos.
Nota: 4/5
Imperdoável já pode ser visto na Netflix.