Em release de imprensa, a Funimation, plataforma de streaming de animê, anunciou hoje (01) a nova leva de animês dublados, que estrearão ao longo do mês de fevereiro. A lista inclui novos episódios de séries que já tinham sido parcialmente dubladas, e uma nova série completa.
As “Quintas da Dublagem”, como a Funimation chama, disponibiliza um novo pacote de episódios dublados, toda quinta-feira. Veja como ficou a programação de fevereiro:
Quinta, 3 de fevereiro
Back Arrow (primeira temporada, episódios 13 – 24)
Animê de roteiro original, foi lançado no primeiro trimestre de 2021, completo em 24 episódios e já disponível na Funimation (dublagem, até então, apenas dos episódios 1-12).
Um homem misterioso chamado Back Arrow aparece na aldeia de Edger. Arrow diz ter perdido a memória. Só se lembra de ter vindo “do outro lado da Muralha”. Para recuperar a memória, ele tenta cruzar a fortaleza. Mas acaba tendo de enfrentar conflitos sucessivos.
Quinta, 10 de fevereiro
Soul Eater (segunda temporada, episódios 27- 51)
Baseado no mangá de Atsushi Ohkubo, o animê foi originalmente lançado em 2008, e é completo em 51 episódios. Está disponível na Funimation (dublagem, até então, apenas dos episódios 1-26).
Lutando contra ghouls e monstros, Maka, Soul e seus colegas de classe são a última linha de defesa do mundo contra o mal.
Quinta, 17 de fevereiro
Bleach (episódios 110 – 137 – a ser lançados diretamente dublados)
Clássico animê shounen, Bleach foi lançado no Japão entre 2004 e 2012, completo em 366 episódios. Apenas os 119 primeiros estão, até o momento, disponíveis na Funimation, todos com opção dublada.
Ichigo Kurosaki sempre conseguiu ver fantasmas, mas quando conhece Rukia, uma Soul Reaper que luta contra os espíritos malignos conhecidos como Hollows, descobre que sua vida vai mudar para sempre…
Quinta, 24 de fevereiro
The Detective is Already Dead (12 episódios iniciais)
Adaptação em animê da Light Novel de mesmo nome, “The Detective is Already Dead” estreou em julho de 2021, e está completo em 12 episódios. Nós acompanhamos o animê semanalmente, comentando sobre os episódios, e você pode encontrar os links para todas as resenhas aqui. O show está disponível na Funimation (sem dublagem, até então).
Um assistente de detetive se arrisca a reabrir velhas feridas quando se depara com um novo caso de homicídio, conspirações globais e a morte de sua parceira, a detetive Siesta.
Fevereiro chegou com grandes dublagens para todos os gostos! #QuintasdeDublagem
Então preparem-se porque séries recheadas de ação e mistério estão a caminho 🤩 pic.twitter.com/XoRUDOXoRn
Acabou! Hoje foi o último episódio, e com isso, teremos a última resenha semanal de “The Detective is Already Dead“. Se você me acompanhou até aqui, agradeço a parceria! E se chegou depois, fico surpreso de ter chegado até aqui… As resenhas anteriores, como sempre, seguem: #01 | #02 | #03 | #04 | #05 | #06 | #07 | #08 | #09 | #10 | #11.
Numa tentativa de encerrar a temporada com chave de ouro, o animê acabou mostrando exatamente todos os problemas que os assombraram ao longo de toda sua exibição. Se for para fazer um elogio, porém, poderia dizer que pelo menos eles foram consistentes nesses pontos? Vamos comentar o episódio da semana, e dar um apanhado geral do show!
Pois é, Kimihiko. Terminou. Para o bem ou para o mal, não tem mais resenha semanal. (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 12: “Aqueles três anos estonteantes que passei com você”
A primeira metade fez uma construção completa: da preparação emocional com o flashback; ao reencontro surpreendente; passando pela já clássica interação entre Kimihiko e Siesta que eu tanto elogiei; chegando ao clímax com uma nostálgica onda de memórias; e encerrando com uma pose épica enquanto um discurso sobre o poder da amizade é narrado ao fundo; tudo isso enquanto enfrentam um lagarto gigante dentro de um navio em chamas. Honestamente, a ideia inteira da cena é perfeita.
Faço questão de destacar, porém, que apenas a “ideia” é perfeita. Mais uma vez, temos um problema de execução por parte do animê, que tirou grande parte do impacto que a cena precisava ter. Os movimentos são desengonçados; o monstro não tem a presença ameaçadora nem a coreografia que precisava ter para fazer sua existência ali relevante; toda a conversa entre os dois protagonistas teve sua importância diminuída pois eles falavam sobre coisas que aconteceram apenas dois episódios atrás… Foi um desastre de direção do início ao fim.
Na segunda metade, destaco mais uma escolha estranha por parte do autor: Sério mesmo que depois de tudo que aconteceu, nem o Kimihiko nem a Charlotte conseguiram chegar à conclusão de que a Siesta já tinha planejado morrer desde o começo? Para quem estava escrevendo uma história sobre protagonistas absurdamente poderosos, as duas pessoas que mais passaram tempo ao lado da “Lendária Detetive” não terem herdado nem uma fração da esperteza dela… soa um pouco estranho. Faz até parecer que a ideia era emburrecer as pessoas ao redor de Siesta, para que a sua inteligência parecesse maior.
Por fim, o encerramento pareceu servir como um soco no estômago, um último recado de que o show poderia ter sido bom, mas continuou no “quase” a temporada inteira. A apresentação de slides com o que aconteceu nos doze episódios nos mostrou como tivemos pouca coisa acontecendo de fato, com mais episódios de preparação de terreno do que terrenos sendo usados. O meta-comentário do Kimihiko, de que “É muito cedo para chamar isso de um epílogo” me causou uma reação visceral de ódio: Estou acostumado a adaptações de Light Novel terminarem com uma enorme placa de “vá ler o material original“, mas “The Detective is Already Dead” se esforçou para, em doze episódios, mostrar a menor quantidade possível de material. Esse final foi um grande dedo do meio para quem acompanhou o animê, quase como uma confirmação de que ele fez todas as coisas erradas propositalmente, e não por incompetência.
Não sei nem mais o que colocar na legenda das imagens da “Nagisa”… Coitada, a protagonista menos protagonista da história da ficção… (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais (Dessa vez, “finais” mesmo)
Depois de três meses, eu confesso que fiquei confuso. Será que foi mesmo culpa do show? Será que “The Detective is Already Dead” que está errado, com uma direção e execução falhas? Ou será que sou eu que não tenho mais paciência para esse tipo de ladaínha? Gostaria de dizer que sou eu, mas o próprio anime me desmentiria. Veja o primeiro episódio! Leia os comentários que eu fiz sobre ele, lá atrás! Eu adorei a ladaínha, achei super legal toda a parte brega e exagerada que fizeram. Eu também vejo isso acontecendo em outros shows! A única explicação acaba caindo, de novo, na direção e na execução dos episódios 2 a 12. Uma pena.
Com uma aparência de “história de detetive“, mas uma proposta de “história de protagonista absurdamente poderoso“, o animê acabou arranhando a superfície de ambas as partes, sem se aprofundar em nenhuma delas. Coisas “genéricas” funcionam, mas só funcionam quando elas são genéricas o suficiente para abrangir um público enorme, fazendo com que essa grande área superficial compense a falta de profundidade. “The Detective is Already Dead” não foi nem largo, nem fundo, e acabou sendo um show que não agrada tanto quanto poderia.
Por outro lado, uma rápida pesquisa te mostra que a adaptação deu uma chacoalhada bem grande na Light Novel, trocando grandes blocos de ordem e trazendo uma visão bem diferente da mesma história. Se você ficou frustrado com o modo como o animê apresentou as aventuras de Siesta, Kimihiko e Nagisa, talvez a versão original seja justamente o que você precisa. Afinal, como já comentei antes, a realidade normalmente muda de acordo com a expectativa que você tem.
A cara de todos os envolvidos no comitê do animê, ao ver que todo o plano de empurrar as pessoas para a Light Novel deu certo, mesmo que pelos motivos errados (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
E como a história terminou, acho justo fazer o que sempre fazemos e dar uma nota para o que acabamos de assistir: Para mim, “The Detective is Already Dead” fica com um 2,5/5,0, e eu nunca tive tantas postagens para esclarecer o meu ponto, quanto como hoje.
O animê, agora completo, está disponível na Funimation, com legendas em português.
Na penúltima semana, temos nossa penúltima resenha semanal de “The Detective is Already Dead“! O animê está chegando ao fim, e se você deixou a coisa acumular para maratonar tudo no final, esse é um bom momento de ir assistir os episódios anteriores, e ler as resenhas anteriores: #01 | #02 | #03 | #04 | #05 | #06 | #07 | #08 | #09 | #10.
Como estamos quase acabando a temporada, o animê faz um esforço para tentar concluir seu raciocínio. Esforço sempre dá resultados, mas, de vez em quando, não dá resultados positivos. Com alguns acertos e alguns erros, vamos comentar o episódio da semana!
Parece que o olho-que-tudo-vê da Yui conseguiu ver o plano do Kimihiko dessa vez (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 11: “Uma luz em meio à esperança”
Continuando de onde paramos na semana passada, o Kimihiko salva o dia com o poder da enrolação estratégica. Comprar alguns preciosos minutos fazendo um discurso emocionado, e forçando o seu vilão a fazer outro discurso emocionado é uma tática mais velha que andar para frente, e foi o que o nosso ajudante predileto fez para salvar a Nagisa. E o animê fez questão de te mostrar que ele tinha planejado as coisas só até aqui.
Seguimos com mais um pequeno acerto: Uma boa utilização de flashback. Viu gente? Não é tão difícil assim! Um flashback não precisa ter mais que um minuto de duração, e ele pode ir direto ao ponto que será utilizado logo na sequência. É uma construção que nos faz lembrar que sim, de fato, a detetive já está morta, e que o importante é o presente, e não o passado. Mas também mostra que ela continua sendo relevante no hoje, por meio de suas filosofias e lições. A ideia não era essa?
O que eu não gostei, porém, foi a segunda enrolação estratégica. O garoto estava lá, enrolando o nosso camaleão (que aliás, era um camaleão mesmo né? Esse autor gosta de ser literal) depois de ter salvo a Nagisa. Essa era a oportunidade perfeita para fazer justamente o que o autor disse que era o objetivo dele desde o princípio: contar uma história de um protagonista super-poderoso e bem-preparado. Se tivessem me falado um “Ahá! Eu sabia desde o princípio que eu não tinha como enfrentar um mutante por conta própria, e sabia que a Charlotte iria aparecer com reforços! Por isso eu passei um flashback no meio da cena de combate! Eu sou muito esperto!“, eu teria aplaudido. Seria uma atitude incrivelmente corajosa por parte da história, e por mais cafona que seja, se alinharia com o que a história pretende ser.
Eu depois de duas doses da vacina vs eu antes de tomar a vacina (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais
Eu não sei mais o que dizer, apenas sentir. No caso, sinto pena do animê. A direção artística do show não está dando conta de fazer o que precisava fazer. Todas as cenas são anti-climáticas, sem emoção e sem intensidade. Eu acredito seriamente que você precisa de um certo talento para conseguir fazer uma cena onde um cara se transforma em um camaleão-mutante enorme e é então alvejado por uma submetralhadora dentro de um navio em chamas, ser uma sequência totalmente sem impacto.
Por outro lado, a segunda metade do episódio serviu como réplica ao meu comentário da semana passada: Finalmente justificaram os cinco episódios de flashback que eu tanto reclamei sobre. Foi uma conclusão que precisava de uma certa construção para funcionar, e que só teve impacto justamente pela longa duração. Mas com o porre que foi acompanhar essa construção sem aviso prévio, e com o problema de direção artística já mencionado… A conclusão pareceu muito menos impactante do que precisava ser. Isso faz com que eu não tenha certeza se a justificativa tenha valido a pena.
Ao menos deram uma justificativa, né? Agora só resta um episódio.
Quando finalmente o seu jogo de Xadrez 5D, que você vem planejando há anos, finalmente chega à conclusão que você já tinha calculado 27 passos a frente de todos… (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
Dá para acreditar? Essa é a décima semana que estamos fazendo resenhas de “The Detective is Already Dead“! Parece que vamos mesmo sobreviver até o final, ein? Caso não tenha visto, as resenhas anteriores podem ser lidas aqui: #01 | #02 | #03 | #04 | #05 | #06 | #07 | #08 | #09.
Como uma fênix que resurge das cinzas após morrer, o animê decidiu voltar ao presente após cinco semanas de flashbacks. E, assim como a fênix, meu interesse no show pareceu renascer. Vamos comentar o que vimos essa semana:
Dessa vez, a Charlotte serviu de algo! Isso que é desenvolvimento de personagem! (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 10: “Então, não posso me tornar um detetive”
O episódio começa com uma reflexão da Nagisa – que o autor levou muito ao pé da letra, fazendo ela ficar de frente para o seu reflexo num espelho por toda a cena… E a sutileza? – onde vimos ainda melhor dois detalhes opostos de episódios anteriores: Nos mostrou, de novo, que aquela introdução da garota, no episódio 2, foi completamente sem pé nem cabeça… e também nos mostrou que a escolha de direção do episódio 3, que eu tanto elogiei, foi feita propositalmente. A própria Nagisa admitir que ela é o completo oposto da Siesta é um ponto óbvio, mas que impacta quando é dito de forma tão descarada assim.
Outra coisa que eu já comentei antes, mas que se mostrou novamente nesse episódio, foi a inversão de papéis. Depois de cinco episódios vendo a Siesta ser a “provocadora” e o Kimizuka ser o “provocado”, ver o Kimizuka no papel de “provocador”, mesmo que acidentalmente, é como uma brisa de ar fresco. E o animê estava precisando mesmo de uma refrescada de ares.
A aparição – dessa vez, com alguma utilidade pra trama – da Charlotte também foi interessante, ao trazer ainda mais destaque para o conflito interno da Nagisa, e de servir como ponto de início para a trama do arco. E qualquer personagem que seja necessária para nos levar até um vilão dublado pelo Takehito Koyasu é uma personagem importante, na minha opinião.
E já que citei o vilão, toda a história do episódio pareceu extremamente fora de lugar, mas não de uma forma ruim. É normal as coisas parecerem fora de lugar, pois, no presente, estamos acompanhando as coisas por um ponto de vista que é muito mais próximo do da Nagisa (que não tem muita ideia do que está acontecendo, por ter chegado de paraquedas) do que do Kimizuka. Esse sequestro repentino, esse item misterioso da Siesta que aparentemente está no barco, a aparição de um vilão que fica invisível e lhe dá um ultimato… Tudo isso acrescenta ao ar de mistério que circunda a nova e antiga vida da Nagisa.
E não se pode ter um drama sem um pouco de charme, não é? E de charme, a Nagisa está cheia (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais
Caso não tenha ficado óbvio até agora, o ponto que eu tenho achado mais interessante em “The Detective is Already Dead” é o drama da Nagisa. É por isso que eu fiquei tão revoltado quando tivemos cinco episódios de flashback seguidos, e é por isso que eu fiquei tão feliz quando finalmente voltamos para o presente.
A volta ao presente, inclusive, nos mostrou ainda mais como aquela retrospectiva gigante foi inútil. Aprendemos mais sobre o passado? Sim, mas eles não estão usando essas informações para nada. Espalhar essa história ao longo dos acontecimentos presentes, mostrando apenas a parte que seria útil, parece muito mais interessante do que foi feito. Espero que tenhamos um desfecho colossal para me fazer calar a boca por reclamar tanto, mas não sei se eles terão a qualificação para fazê-lo…
Mas também, deixa eu elogiar quando se é devido: As cenas pontuais de humor estão fluindo muito melhor agora, do que nos primeiros episódios. Elas soam mais naturais, e se encaixam no roteiro como tendo importância. Talvez seja o reflexo de estarmos adaptando um volume mais avançado da Light Novel, onde o autor já pegou melhor o jeito de escrevê-las? Não sei, mas fico feliz.
Agora, as cenas possuem tensão, há impacto num ultimato como o que foi feito pelo vilão. A morte da Nagisa poderia acontecer, já que o futuro ainda não está escrito. Terminar o episódio em um cliffhanger onde coisas estão mesmo em jogo é muito mais interessante do que em um onde não se está apostando nada. Na pior das hipóteses, esse arco já será muito melhor do que o anterior, e por isso, eu fico animado com a expectativa dos próximos episódios.
Nem mesmo o olho-que-tudo-vê da Yui é capaz de prever o futuro. Mas o passado é fácil de se prever… (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
Em contraste à semana passada, hoje eu serei breve. As resenhas anteriores de “The Detective is Already Dead” estão aqui: #01 | #02 | #03 | #04 | #05 | #06 | #07 | #08.
Lembra do flashback das últimas quatro semanas? Que falamos que tinha durado três semanas a mais do que deveria? Pois então, ele continua. Breves comentários sobre o episódio:
Episódio 9: “SPES”
Acredito que o que vimos essa semana resume bem o que tem sido “The Detective is Already Dead”, desde o seu segundo episódio: Diálogos descritivos e com falas pseudo-filosóficas, mas que não carregam nenhum peso ou significado; cenas de ação medíocres e que te fazem questionar o que aconteceu com a incrível luta que vimos no avião; e algumas poucas interações divertidas que se perdem no meio de todo o resto.
Tudo nesse episódio pareceu extremamente esquisito, como se as próprias personagens estivessem desconfortáveis de estar ali. E não digo isso num ponto de vista da narrativa (o que faria sentido!), mas sim, tecnicamente: É um problema de composição de cenas, que já discuti anteriormente, e tem se mantido semana a semana, mas que ficou especialmente visível hoje, pela natureza do episódio que tivemos.
Aliás, qual foi a utilidade da loirinha no episódio de hoje? Servir de Uber? Pois nem a conversa dela valeu muita coisa… (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais
O episódio de hoje deveria ter sido um clímax, a emocionante conclusão de um looooooooooongo arco que se passa no passado. O que foi entregue, porém, não chegou aos pés do que ele se propôs a fazer. Houveram algumas ideias legais, mas elas não foram executadas tão bem quanto poderiam, fazendo com que tudo ficasse meia-boca.
A melhor demonstração disso é o quão anti-climática foi toda a cena com a “morte” e a morte da Siesta. O dublador do Kimihiko, Arata Nagai, se esforçou para fazer a parte dele, e para isso, eu dou os parabéns, mas todo o resto da cena simplesmente não contribuiu para o impacto que era necessário. O jeito como a Hel simplesmente aparece ali, do nada, para interromper a conversa, chegou quase a ser engraçada… Sem contar que não só uma, mas duas vezes, eles decidiram fazer coisas literalmente brotar do chão para dar uma sacudida na cena que já tinha perdido todo o gás.
Se bem que uma coisa funcionou: Com o coração da Siesta roubado pela vilã, a história me deixou intrigado em tentar entender como aquele órgão vai acabar indo parar na outra protagonista, que não aparece há tanto tempo que eu já esqueci seu nome. Mas, torrar a paciência do seu público com cinco episódios seguidos de flashback, e ainda gastar todo o combustível “do passado” que você tinha de uma vez, não parece ter valido a pena, quando você pensa que esse questionamento foi a única coisa que você ganhou.
Estamos tão perto do final, que me sentiria mal de desistir agora, então vou continuar até o fim. Mas que esse episódio me deu vontade de nem postar nada, isso deu…
Depois de estar supostamente morta no início, mas aparecer no início de qualquer jeito, e aí estar morta de verdade, mas voltar a estar viva por cinco episódios, só para fingir morrer e então morrer mesmo no mesmo episódio… Finalmente podemos dizer que a Detetive Está Morta (Reprodução: Twitter Oficial, @tanteiwamou_)
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
Temos bastante coisa para falar essa semana, com o oitavo episódio de “The Detective is Already Dead“, então vamos direto ao assunto. As resenhas anteriores estão aqui: #01 | #02 | #03 | #04 | #05 | #06 | #07.
Com o que parece ter sido o fechamento desse arco de flashback, o animê se transformou bastante desde a última vez. Mas essa transformação não se deve a alguma mudança na direção ou no roteiro: O que mudou foi a minha percepção do show. E nossa, tudo faz muito mais sentido, depois de entender o que estava sendo proposto. Faço questão de gastar um tempo explicando o que rolou para você.
Vou te dar uma informação útil, assim como o Kimihiko deu um anel para a Alicia (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
No começo da semana passada, dia 16, o site de notícias Anime News Network publicou uma entrevista (em inglês) com o autor da Light Novel de “The Detective is Already Dead”, Nigojū; e também com o diretor da adaptação animada, Manabu Kurihara. O texto completo é muito interessante, e vale a leitura para quem está interessado no animê. Porém, o que eu gostaria de destacar é a essência dessa entrevista: A minha interpretação é de que nunca foi a intenção do autor escrever uma história de detetive.
O que ele queria era fazer mais uma das clássicas histórias de “protagonista absurdamente poderoso“, que faz bastante sucesso no submundo das light novels. E, parando para pensar, a Siesta é exatamente isso: Uma protagonista absurdamente poderosa, simplesmente usando o tema de “detetives” como molde. Vi comentários de algumas pessoas que desgostaram do primeiro episódio, pois a lendária detetive pareceu “ter tirado a solução do caso da cartola” (para não usar um termo de baixo calão), e achei bastante engraçado quando, na entrevista, o autor faz questão de citar justamente esse acontecimento como algo “legal e empolgante“.
Ou seja, o meu problema com “The Detective is Already Dead” (e, talvez, o seu também) não era a produção, mas sim, a expectativa. Já falei bastante sobre esse assunto numa outra postagem, só que dessa vez, o problema foi o oposto: Estávamos esperando uma história de detetives, e analisando o animê como se ela fosse uma… Quando na verdade, ela nunca se propôs a ser uma. Agora que sabemos o que deveríamos estar pensando ao assistir o show, a história muda de figura. E os resultados foram imediatos. Vamos comentar o episódio da semana!
Posso dizer que, assim como o Kimihiko, eu não estava VENDO DIREITO o que a história queria me contar. Ha… haha… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 8: “Com isso, retomamos nossa jornada”
Essa semana, tivemos um molde bem comum para encerramentos de arco, embora eu possa argumentar que as coisas aconteceram um pouco rápido demais. E isso é irônico, pois passei os últimos três episódios dizendo que as coisas estavam muito lentas. Poderiam ter ajustado melhor a distribuição de “coisas acontecendo” ao longo do flashback.
Com a solução do mistério dos assassinatos, tivemos mais um gostinho da temática de detetive que claramente não é o foco da história. Mais uma vez, aconteceu de termos um caso que poderia ser resolvido com as informações que foram dadas, mas que ainda acabou ficando no quase no quesito satisfação. A diferença dessa semana? Eu não fiquei frustrado com ficar no quase, pois agora sei que não era a intenção da história chegar lá.
O que foi mais importante, na minha opinião, porém, não foi a resolução do caso. Acredito que a parte de maior importância foi o desenvolvimento de personagem que foi dado à Siesta essa semana. Boa parte da primeira metade do episódio foi focada em mostrar um lado mais humano da detetive, e a demonstração funcionou tão bem justamente por ter sido feita através de contradições.
Com a revelação de que a Alicia era, na verdade, um disfarce da Hel, temos uma das profecias cumpridas: O tal livro mágico da vilã tinha dito que o Kimihiko seria o parceiro dela, não é? E foi justamente isso que aconteceu, quando Kimihiko decidiu ser o assistente dela, deixando Siesta sozinha. Isso nos mostra que as previsões do livro tecnicamente se realizam, mas no clássico modus operanti da “Pata do Macaco”, elas não funcionam do jeito que se espera. Ainda bem que teremos ao menos um pouco de liberdade nessa história de “destino traçado”.
Uma coisa não muda, porém: A Siesta ainda é uma personagem super divertida, e as interações dos dois protagonistas continuam a melhor parte do animê (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais
Talvez isso tivesse sendo feito desde o princípio, e eu só percebi agora por conta da minha mudança de mentalidade, mas… Esse episódio mostrou claramente um dos temas abordados em histórias de “protagonistas absurdamente poderosos”, que é o da solidão. Quando se está no topo, não há ninguém com você. Como a Siesta é essa detetive que realmente merece o título de “Lendária”, ela assume o posto absoluto de número um, e isso faz com que ela possa se sentir sozinha num ponto de vista empírico.
O Kimihiko existe como um apoio para a Siesta. Ela mesma diz que ele é alguém que ela “podia confiar“, alguém que ela poderia se dar ao luxo de se abrir, de se aproximar. Do ponto de vista dela, o assistente era uma pessoa que estava próxima do topo, próxima o suficiente para que ela pudesse se identificar e se sentir acompanhada. Mas o episódio usou a Alicia para mostrar que mesmo com essa proximidade e intimidade entre os dois, o Kimihiko ainda está muito mais próximo das pessoas normais do que da genialidade da Siesta. Ao colocar a garotinha como um ponto de comparação, tanto o público como a própria detetive conseguiram identificar que o assistente pendeu pro lado que ele se identifica mais.
A qualidade de gênio da Siesta, porém, é a dedução e o raciocínio. Por causa disso, ela consegue entender a posição que estava e a posição de seu confidente, e decide ceder um pouco, para conseguir se manter próximo da única pessoa que, até hoje, conseguiu dar a ela ao menos algum tipo de companhia. Estar no topo é solitário, mas apenas se o dono da força quiser que seja assim. O “poder da amizade” não é usado à exaustão sem motivo.
O animê ficou cem vezes melhor e mais divertido para mim, agora que entendo o que eu deveria estar assistindo. Espero que isso te ajude também.
O Chad Kimihiko que entende a intenção do autor vs The Virgin Alicia que está passando nervoso com a história (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
É o início da segunda metade da temporada, e então, temos a sétima postagem sobre “The Detective is Already Dead“. Como sempre, as resenhas semanais dos primeiros episódios estão aqui: #01 | #02 | #03 | #04 | #05 | #06.
Insistindo no flashback que parece não nos levar a lugar nenhum, passamos um terceiro episódio no passado. Mas dessa vez, eles ao menos tentaram corrigir o problema que vimos nas semanas anteriores. Vamos comentar!
Minha cara de bolado assistindo mais um episódio de flashback… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 7: “Na hora, você se lembrará desse dia”
O que eu comentei nas outras vezes foi a falha principal de um flashback: Você já saber o que vai acontecer remove totalmente a tensão da história. Essa semana, o animê se esforçou para contornar esse problema, ao focar no que acontece com a Alicia. Afinal, o que acontece com a Alicia? Não sabemos, e o ponto é justamente esse. Qual é o destino dela? Qual o passado dela? Não temos essas informações, e por conta disso, mesmo uma história que se passa no passado consegue ter algum tipo de drama.
Além disso, o episódio ainda trabalhou, com certo grau de sucesso, em um “caso de detetive”. O olho esquerdo do Kimihiko estar machucado e a Alicia “resolver esse mistério” serviram como um aperitivo, para nos lembrar que, mesmo com eles não se esforçando em mostrar, isso ainda é um animê de detetive. Claro que foi um golpe um pouco baixo, pois não estávamos pensando nesse mistério, mas foi um mistério que começou na nossa frente, mostrou pistas para nós ao longo de todo o episódio, e foi resolvido com as informações que nós tínhamos. Então bem… Um ponto positivo?
Mas como não dá pra deixar só com elogios, tenho que reclamar do enorme desperdício que foi gastar metade do episódio com seja lá o que aquilo deveria ser. Pra começar, quem que deixou essas crianças beber? Não sabemos a idade da Siesta, tudo bem, mas o Kimihiko é menor de idade! E toda a cena que transcreveu com os dois bêbados e as várias insinuações sexuais não serviu para nada! Por um momento, achei que poderia ser uma preparação para algum acontecimento, não sei, talvez um ataque inimigo enquanto eles estavam fora de si, ou o fato de estarem agindo de forma diferente do normal fosse um catalisador para um momento de epifania. Mas não, a cena acabou e a história prosseguiu como se nada tivesse acontecido. Foi uma cena puramente de fanservice. Não vejo problema em fanservice, mas poxa, pelo menos escolhe um momento mais oportuno né? Não coloca no meio de um flashback que já está muito mais longo do que deveria ter sido…
Eu fiquei a cena inteira pensando “isso vai servir para algo, né?” só para o Kimihiko literalmente ir dormir de calça jeans… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais
Continuo com a impressão das postagens anteriores: O animê está tão próximo de conseguir fazer algo legal, mas não tá conseguindo firmar o pé no chão. Pra mim, a única coisa que realmente me diverte é o fato de o autor fazer questão de que todas as garotas destratem o protagonista. Pois o Kimihiko tem uma personalidade combativa, então ele retruca de volta, e esse humor tem sido o ponto salvador de “The Detective is Already Dead“. Isso, e a piada de que eles estão sempre sem um único tustão furado no bolso. Eu também sempre dou risada disso.
Mas, de resto, a história está caminhando num ritmo absurdamente lento. Isso, se pudermos considerar que está caminhando, afinal, já é o terceiro episódio em que estamos no passado. Para quem estava achando que teríamos uma curta retrospectiva para introduzir o novo caso, isso está sendo um martírio.
Uma luz no fim do túnel, porém, parece ser que a história vai engrenar no próximo episódio. Só que nessa altura do campeonato, estar esperando o negócio engrenar? A maior parte das pessoas já desistiu, você não pode se dar ao luxo de demorar tanto.
Não precisa ser um Xeroque Rolmes para saber que a galera desiste fácil das coisas hoje em dia (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
Com o sexto episódio, chegamos na metade da temporada de “The Detective is Already Dead”, e também, na metade das resenhas semanais. As anteriores, como de praxe, estão aqui: #01 | #02 | #03 | #04 | #05.
Continuando no passado, seguimos aventuras sem peso e sem emoção, apenas como preparação para um acontecimento futuro. Como o animê parece não respeitar o nosso tempo, eu irei respeitar o seu, falando bem mais brevemente do que nas semanas anteriores. Vamos comentar o que vimos:
Monstrão gigante só pode significar uma luta irada, né? Bem… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 6: “Demônio Carmesim, Rainha do Gelo”
Voltando de onde paramos semana passada, vimos a luta de um robô gigante contra um monstro maligno mais apática da história do entretenimento de massas. Eu fiquei impressionado com o nível do “combate” e da “perseguição” que aconteceu, principalmente por saber que eles podem fazer melhor do que isso. Eles já fizeram! Ambos os grupos se movimentavam de forma esquisita, protagonizando uma cena anti-climática de assistir e que beirou a paródia, mas que esqueceram de fazer com que fosse engraçada.
A segunda metade nos apresentou a uma nova personagem, Alicia, que parece ser importante para o futuro da série, mas que no momento, aparenta ser apenas uma criação para ticar vários pré-requisitos de uma lista. É claro que o anime baseado em uma light novel precisava de uma garota de 19 anos (a idade que ela terá no presente, quando voltarmos para lá) que aparenta ter oito. E é claro que ela precisa apontar para o protagonista e imediatamente assumir que ele é um tarado. É um tipo de humor que, pra mim, não cola. E olha que eu sou bem aberto com humor!
Aliás, um comentário rápido sobre interações: Que conversinha mais sem-vergonha essa da Hel com a Siesta, ein? Esse papo da vilã de “aceitar ser o lado ruim da história“, e a insistência dela com essa história de “destino” me cansam. Existe uma linha a ser cruzada quando você quer ser espalhafatosamente melodramático, mas eles não conseguiram cruzá-la com a Hel, fazendo com que ela soe apenas como um esteriótipo. Pelo menos tivemos mais da famosa interação da Siesta com o Kimihiko, que tem sido a salvação do animê.
Não sei, é a câmera numa posição estranha? Pois o resto funciona… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Considerações finais
Mesmo com diversos acontecimentos, o episódio pareceu não ter importância nenhuma para a história geral. Não sou contra algum tempo tranquilo entre momentos de ação, para acalmar os ânimos e dar uma chance das personagens (e dos espectadores) descansarem. Mas um episódio de repouso é o que você normalmente esperaria após um episódio tenso e cheio de nervosismo. E o episódio passado claramente não foi isso.
Outro problema que eu tenho observado desde o segundo episódio, mas que se mostrou descaradamente no sexto, é a falha na composição de cenas. As coisas parecem que não “se encaixam” na tela, elas não parecem estar nos lugares certos. Não sou profissional da área e nem entusiasta de animação, então fica apenas como um pressentimento, mas que as cenas parecem não “clicar“ comigo… Ah, isso parece. Tanto aquela perseguição estranhíssima que comentei acima, como a – supostamente – emocionante cena onde Siesta e Kimihiko conversam entre escombros e chamas, pareceram não estar aptas a transmitir as emoções que precisavam. A música combinava com o momento, a dublagem é de alto nível, e a animação é bonita, mas mesmo assim… As coisas não combinam.
A impressão que eu tenho é que “The Detective is Already Dead” está muito, mas muito próximo de conseguir fazer algo legal. Eles estão a margem de ser um animê interessante e divertido. Mas eles só conseguiram cruzar essa linha no primeiro episódio. Desde então, estão parando no quase.
Também me sinto assim com esses flashbacks, Siesta. Eu te entendo… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
Hoje é domingo, o que significa que é dia de mais uma Resenha Semanal de “The Detective is Already Dead”! Se chegou aqui agora, as resenhas anteriores estão aqui: #01 | #02 | #03 | #04.
O começo de um novo arco é sempre um ponto interessante, pois podemos virar a página e tentar arrumar os erros antigos ou melhorar as qualidades já estabelecidas. Ou, você pode não fazer nenhuma das duas coisas e se manter exatamente do mesmo jeito. Foi o que aconteceu nesse episódio. Vamos comentar!
Episódio 5: “Aquilo foi direcionado a um ano no futuro”
O episódio inteiro foi de flashback. Assistimos 24 minutos de coisas que já estão no passado, quando Siesta ainda estava viva. Embora isso não seja um problema por si só, pois acaba fazendo parte da própria premissa do animê, todo o peso emocional e a tensão desaparecem, quando se conta algo dessa forma. É um preço a se pagar por estruturar uma história que começa da metade, mas ainda querer contar a primeira parte dela. Se ao menos alguma franquia espacial multimilionária não tivesse feito isso antes pra te explicar, não é mesmo…
Relembrar do passado pode ser bom, pois isso dá mais tempo para a Siesta aparecer. Olha que garota fofa! (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Pense no episódio num vácuo: Imagine que você não sabe que isso é uma mera lembrança, e que aquilo poderia estar ocorrendo no presente. O episódio funciona. Existe uma construção ideal de estresse nas cenas. Começamos com uma calmaria, com os dois brincando na praia, se divertindo, e levantando todas as death flags possíveis. Daí, somos levados a uma situação onde a vida do Kimihiko está em risco. Ele poderia muito bem morrer ali, naquela noite, pelas mãos (ou garras?) do lobisomem. Ainda pensando nisso, ele ser sequestrado pela “nova” vilã e levado para conhecer o “novo” totó da organização maligna também era uma situação tensa. Tudo indicava que existia um risco real ali, e o resgate da Siesta viria a ser uma cena emocionante.
Mas nada disso acontece! Sabe o motivo? Pois isso é um flashback! Isso já aconteceu! Todos nós sabemos que tanto o Kimihiko quanto a Siesta sobreviverão. Claro que a Siesta morre depois, mas nós sabemos que ela morre em outra situação. Logo, ela sai viva dessa. Isso faz com que esse episódio inteiro não passe de uma grande preparação de terreno, apenas nos dando informações que vamos precisar pro arco. E passar um episódio inteiro sem algo que vale alguma coisa é chato! Puxa, pelo menos me mostra um pouco do presente! Me diz que alguma coisa que foi dita aqui tem algum significado, pra eu ficar ansioso pelo próximo episódio. O que foi mostrado é até interessante, mas não tem valor nenhum. Eles tentaram fazer isso com a introdução de um “livro de profecias“, mas isso me fez mais ficar temeroso pelo futuro já estar marcado do que qualquer coisa…
“Oh céus! O protagonista está correndo sério perigo! Estou com tanta apreensão por ele!” disse ninguém. (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais (Bem, “parciais”, mas vocês entenderam)
Três pontos sobre o episódio que eu quero destacar: Mais um comentário sobre as interações da Siesta e do Kimihiko; O lobisomem; E a problema das introduções que ocorreram.
Para começar, voltamos a falar sobre como os dois protagonistas interagem. Hoje, vimos uma dupla diferente, já com quase três anos de experiências lado a lado. Embora o jeitão central das interações deles tenha continuado o mesmo, fica claro que eles ficaram mais próximos. Ao longo das conversas eu já cheguei a pensar em como “A Siesta se apegou ao Kimihiko“, e isso foi explicitamente mostrado com a cena final. De um lado, isso mostra uma progressão na história, e nos dá um ponto para comparação. Por outro lado… Eu achava mais engraçado quando a Siesta ligava menos pra ele. Ainda é engraçado e ainda gosto bastante, mas um pouco menos.
O segundo ponto é o que me deixou mais triste. Não estou decepcionado, ou revoltado. Apenas… Triste. Como pode você apresentar um personagem que é um lobisomem metamorfo mercenário, dublado por ninguém menos que Jouji Nakata, e simplesmente jogar esse personagem fora em cinco minutos? Isso é um desperdício! Que absurdo! Ele é o personagem mais legal que vocês me mostraram até agora, e daí decidem matá-lo desse jeito? Já tivemos um vilão reciclado no arco anterior, qual seria o problema de fazer isso com outro (que, convenhamos, é muito melhor do que um terrorista com uma orelha mutante)?
O que será que estão tentando dizer ao fazer a grande vilã ser exatamente igual a Siesta, só que com uma paleta de cores invertida? Deve ser apenas coincidência, né? (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Para encerrar, outro velho conhecido: Introduções esquisitas. Hoje, conhecemos a suposta grande vilã da história, “Hel”, a líder da organização maligna que a detetive enfrenta. Embora a introdução dela tenha sido a melhor até então, isso não quer dizer muita coisa, quando olhamos para as anteriores. Eu tenho duas reclamações principais com o que foi feito com ela. De início, a própria aparição dela foi uma história mal contada. O que motivaria a líder suprema de uma organização secreta a ir pessoalmente resolver assuntos de um subalterno? Mesmo com a desculpa de que ela “queria conhecer pessoalmente o futuro parceiro dela“, a sua entrada foi um pouco envolta de mistérios.
A outra coisa é sobre como a entrada que de fato ocorreu foi muito… sem sal? Acho que posso dizer que foi um “problema de direção“, de não conseguir transmitir a mensagem que eles queriam. Toda a cena deu a impressão de que eles estavam tentando mostrar o quão cruel, malvada e sem escrúpulos a garota era, mas acabou faltando impacto. Não houve foco o bastante, ou atenção o bastante, ou detalhamento o bastante para passar essa ideia. As cenas deveriam ser viscerais, mas foram muito superficiais, não dando o resultado esperado.
Como saldo final, o episódio foi interessante, mas foi apenas uma fração do que poderia ter sido. E, até então, essa parece ser minha impressão geral de “The Detective is Already Dead”: Muito potencial que não está sendo usado. Você pode sentar e esperar que utilizem o que tem (que pode nunca acontecer), ou simplesmente ir embora. Eu vou esperar, pois ainda tem muitas resenhas semanais pela frente.
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.
Quarto episódio de “The Detective is Already Dead“, o que significa que estamos aqui já tem um mês. Então vamos pular as introduções: As resenhas anteriores estão aqui (#01, #02, #03).
Com o final do arco da idol, conseguimos entender como o resto do animê vai funcionar, e respondemos a pergunta da semana passada: Esse show vai ser um ótimo mistério de detetives, ao mesmo tempo que vai ser o pior mistério de detetives possível. Vamos conversar sobre o episódio pra entender melhor!
Aliás, eu comentei sobre como as músicas da Yui são legais? (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Episódio 4: “O que vejo nesse olho”
O episódio começa frenético, como era de se esperar. Entre o final da semana passada e o começo dessa semana, o protagonista, Kimihiko, descobriu “a verdade“, e está agindo em cima disso. Mas como nós, espectadores, ainda não sabemos sobre a tal “verdade“, tudo fica propositalmente confuso. É uma última chance que o animê está te dando para você desvendar o mistério, usando as frases soltas da conversa entre os dois para te dar uma pista do que está acontecendo. E eu consegui ligar os pontos graças a isso (e a uma rápida espiada no episódio anterior), então agradeço pela oportunidade!
Duas cenas que se complementam aconteceram em momentos diferentes, mas acho necessário trazê-las de uma vez para comentar ambas juntas: No meio do show da Yui, o Kimihiko não consegue localizar o atirador que precisava, por conta da música alta e de todas as luzes piscantes na escuridão. Mas quem precisa de audição ou visão quando se tem um sonar ambulante? Com a ajuda do amigo sequestrador de aviões, ele encontra quem precisava e consegue salvar o dia. E qual a relevância dessa cena? Ela só vem a tona após o encerramento, quando vemos um novo flashback com a Siesta. O último ensinamento que a detetive deixou para Kimihiko foi justamente esse: Eles trabalham em equipe para que eles possam cobrir os pontos fracos uns dos outros. Foi mais um exemplo de como o garoto absorveu as diversas lições e manias da parceira, e como isso fez dele um assistente melhor.
A conclusão do arco aconteceu de forma bastante satisfatória. E não falo sobre como o mistério foi resolvido (isso eu vou comentar no próximo tópico), mas sim, sobre como as coisas se encerraram. Apesar de tudo, a Yui ainda é apenas uma garota de 14 anos. Ela é jovem, e embora não seja ingênua, é certamente influenciável e manipulável emocionalmente. Sinto que o Kimihiko tentou racionalizar demais a situação, quando se tratava de uma coisa que precisava ser resolvida com emoção. Ou, se me perdoarem o trocadilho… com coração. E por isso que a Nagisa foi essencial, pois ela é o coração da dupla. Gostei de como o próprio animê tratou a cena com bastante naturalidade, mostrando que os dois protagonistas são mais maduros e conseguiram interpretar perfeitamente a situação pela qual a Yui estava passando.
Outra semana, outro episódio onde a antiga protagonista ainda tem mais importância que a protagonista atual… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
Considerações Finais (Bem, “parciais”, mas vocês entenderam)
Agora, precisamos analisar a resolução do mistério, né? E pra isso, vamos ter que separar o mistério em duas partes.
Primeiro, vamos falar do mistério de verdade. O roubo da safira, junto com a mentira da Yui, foi um mistério de detetive perfeito. Como conversamos semana passada, o mistério de detetive precisa te dar todas as informações necessárias para se chegar na conclusão, ou ele perde a graça. E fiquei impressionado com como, de fato, todas as pistas foram dadas. Os pontos foram dados, você só precisava ligá-los, e a graça de coisas de detetive é justamente essa.
Com a ajuda do começo frenético, eu consegui fazer essa ligação: A carta de desafio não citava em nenhum momento que a safira roubada era o colar. Quando ligamos esse ponto com o nome da música (que, eu conferi, e é sim citado no episódio anterior!), a interpretação de que o que realmente quer ser roubado é o segredo da Yui, aquele que “é revelado durante a música“, fica claro. E saber que ela já sabia disso fica ainda mais claro quando você lembra que todos os seguranças dela estariam no show, protegendo-a, e não na mansão, protegendo a joia. Como o próprio Kimihiko comenta, numa irônica observação, “o mistério estaria perfeitamente resolvido“…
Essa traição do próprio show foi o equivalente a levar um tiro das mãos do Kimihiko… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)
O problema é a segunda parte do “mistério”. Aqui, o animê fez o oposto de tudo que eu elogiei na primeira metade. E a pior parte, acredito eu, é o quão ciente do problema o próprio show se faz. Usando a Nagisa como um ponto de reconhecimento com a audiência, a garota fica completamente perdida, e até solta a frase “Você não me contou isso!“, como se o autor estivesse rindo da nossa cara. Inventar que a Yui estava, na verdade, sendo chantageada pela organização maligna e que ela foi enganada a tentar matar os dois protagonistas, por conta de um olho-ciborgue? Pelo amor de Deus…
Assim, ok, vamos dar crédito onde se é devido, e dizer que pelo menos eles nos deram informação o suficiente para descobrirmos que a idol tinha plena visão com o olho esquerdo. Mas fazer toda a associação com os ciborgues e a associação maligna? Isso não foi dito em momento algum! E pra piorar, toda a história de estarem tentando matar o Kimihiko? De onde isso saiu? Claro que, depois que “a verdade” foi exposta, você consegue ligar os pontos e entender a situação… Mas o problema é justamente esse! Os pontos precisam ser dados para você durante o mistério, e não só na resolução dele! Vocês fizeram isso tão bem nesse mesmo arco, tá dois parágrafos acima! Pra quê ferrar as coisas desse jeito?
Ou seja, estou feliz e puto, e, como já estou aqui, pretendo continuar assistindo “The Detective is Already Dead“. Porém, a questão que levarei para os próximos “mistérios” será: existem duas camadas de mistério, e eles provavelmente só vão me deixar brincar com uma delas.
O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.