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Calvin Harris e The Weeknd lançam colaboração “Over Now”

Os hitmakers Calvin Harris e The Weeknd lançaram hoje (28) a parceria “Over Now”, primeira colaboração entre os dois. Apostando na vibe retro e nostálgica, presente no trabalho dos dois, o single ganhou um clipe animado, que vem sendo bem recorrente na pandemia.

The Weeknd lançou no começo do ano seu sexto álbum de estúdio, “After Hours” que está sendo um dos discos mais bem sucedidos do ano. Blinding Lights, segundo single do projeto, quebrou recentemente o recorde de música com mais semanas em primeiro lugar nas rádios americanas, passando incríveis 19 semanas. O recorde anterior era da canção “Iris” de Goo Goo Dolls com 18 semanas, lançada há 22 anos atrás.

“Funk Wav Bounces Vol. 1”  de 2017, foi o disco mais recente lançando por Harris. Entretanto, de lá pra cá, o DJ lançou singles avulsos com grandes nomes da música pop como Sam Smith e Dua Lipa. Ainda não se sabe se Over Now será mais um single avulso de Calvin ou procederá o lançamento de um sexto álbum de estúdio.

 

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O quão “branco” The Weeknd deveria ser para a MTV o considerar pop?

A MTV divulgou no último dia 30 a esperada lista de indicados ao VMAs 2020, sua maior e principal premiação. E como em todo ano, as redes sociais são dominadas por diversos fãs comentando os escolhidos pela emissora americana. Há aqueles que comemoram por verem seus favoritos com várias ou somente uma única indicação e há aqueles que reclamam por verem seus ídolos de fora do evento ou recebendo poucas indicações. O normal.

Entretanto, há algo maior do que as indicações que passou despercebido aos olhos do público. Seja pela euforia ou seja pelo fato das pessoas só se importarem com pautas raciais quando elas são trends nas redes sociais: The Weeknd com uma música pop numa categoria de R&B .

The Weeknd, nome artístico de Abel Makkoenn Tesfaye não é somente um dos maiores nomes da música no ano de 2020, como uma das grandes revelações da última década. Seu mais recente álbum, After Hours, lançado em março deste ano, vendeu nos Estados Unidos aproximadamente 440 mil cópias somente na primeira semana. E em escala mundial, o disco quebrou o recorde de pré-adições na plataforma Apple Music, fazendo com que 1,02 milhões de usuários garantissem o álbum em suas bibliotecas antes mesmo dele ser lançado. 

The Weeknd lança o tão aguardado álbum "After Hours" - quarto de ...

Além das vendas estratosféricas de After Hours, o disco conta com os singles Heartless, In Your Eyes (que atingiram, respectivamente, o 1º  e o 16º  lugar na parada americana) e Blinding Lights, que não só alcançou também o topo da Billboard Hot 100 como é, até então, a maior música pop do ano. Inclusive, a faixa continua no top 5 da parada americana e do Spotify global, fazendo em média 4 milhões de reproduções diárias mesmo após 7 meses de seu lançamento. 

Ou seja, Blinding Lights é Pop. Não só na sua estrutura musical, como também comercialmente.  É exatamente este o gênero da canção.

Produzida pelo próprio Abel, Oscar Holter e a lenda da música pop, Max Martin (produtor de faixas como Oops I Did It Again, Teenage Dream e Can’t Stop The Feeling!) Blinding Lights é uma música que bebe diretamente da fonte dos anos 80. Mergulhando de cabeça no synthpop, a crítica especializada não poupou elogios à faixas. A sonoridade oitentista é tão forte que não só a crítica, mas também o público, consegue reconhecer de imediato as influências de nomes como Michael Sembello e A-ha (principalmente do grande clássico Take On Me). 

Porém, nem mesmo a popularidade da canção e nem a perfeição synthpop proporcionada por The Weeknd, foram o suficiente para a MTV, um dos maiores símbolos musicais da história, reconhecer a faixa, e neste caso, o clipe, como produções pop. Blinding Lights recebeu indicações ao VMAs 2020 nas categorias de Vídeo do Ano, Melhor Direção, Melhor Cinematografia, Melhor Edição e, Melhor Vídeo de R&B. Sim, R&B. E também, fora da categoria de música do ano. 

Abel é um artista que, desde o início de sua carreira, flerta com o R&B e com o Pop. O que não falta em sua discografia são faixas R&B. De The Zone à Wicked Games, passando por Reminder e aos grandes hits como The Hills, Often, Earned It e Heartless. “Taguear” Blinding Lights na mesma caixa que essas outras canções, não é só desrespeitoso com o gênero R&B, com o Pop, com o trabalho de The Weeknd. É também  uma das formas de racismo dentro da indústria musical. 

Colocar Blinding Lights em uma categoria de R&B é um exemplo perfeito da segregação racial dentro da indústria fonográfica. Por ser negro, The Weeknd foi visto pela curadoria da MTV como um artista do segmento “Urban”.  Este termo ganhou popularidade nos anos 80 e é problemático  porque separa a música pop feita por artistas brancos da música pop feita por artistas negros. O “Urban” coloca toda música Pop, Rap e R&B feito por negros em uma única caixa sem se preocupar com a estética, som, estrutura entregadas por esses artistas. Para eles, se um negro que fez, é urban. 

Recentemente, devido aos protestos raciais ocorridos nos Estados Unidos e no resto do mundo, diversas pautas foram levantadas nos mais variados segmentos da sociedade. Na música, não poderia ser diferente. Após anos de críticas por parte dos artistas e parte do público, a Recording Academy, responsável pelo Grammy anunciou que removeria o termo “Urban” de suas categorias, por ser um termo historicamente racista para a comunidade afro americana. 

The Weeknd já ganhou 2 vezes a categoria de Melhor Álbum Urban por Beauty Behind The Madness e Starboy. Na edição deste ano, Tyler, The Creator ganhou a categoria de Melhor Álbum de Rap por IGOR, um dos mais aclamados álbuns de 2019 que, pra surpresa da crítica e público, ficou de fora das categorias principais. Durante a coletiva de imprensa após cerimônia de entrega, Tyler falou como era agridoce a vitória e o porquê de se incomodar com artistas negros excluídos das categorias pop e principais. Confira:

“Por um lado eu estou muito grato que o que eu fiz pode ser reconhecido em um mundo como esse… mas é péssimo que sempre que nós, e eu quero dizer caras que se parecem comigo, fazemos alguma coisa que transcende gêneros ou coisa assim, eles sempre colocam em alguma categoria urbana ou de rap.”

Tyler ainda completou, dizendo que:

“Eu não gosto dessa palavra ‘urbana’. Pra mim, é só uma forma politicamente correta de dizer a palavra com ‘n’ [referenciando uma específica palavra inglesa que começa com n, que é racista quando falada por pessoas que não são negras]. Então quando eu ouço isso, eu fico tipo, por que a gente não pode ser indicado pra categoria pop? Então eu fico tipo — metade de mim acha que a nomeação de rap é um elogio ambíguo.”

Grammy endurece regras de conflitos de interesse e promete show em ...

Tyler, The Creator no Grammy Awards deste ano.

Mesmo sendo em premiações diferentes, a exclusão em cima de artistas negros acontece de maneira explícita. O que The Weeknd precisaria fazer a mais para que seu single Blinding Lights fosse visto como pop para a principal emissora musical do mundo? Por que no mesmo ano, You should be sad da Halsey, que flerta com a música country e só alcançou a posição #26 da parada americana está na categoria pop? Por que mesmo tendo vendido mais de 1 milhão de cópias somente nos Estados Unidos, Blinding Lights está fora da categoria de música do ano? Todas essas questões são falsas dúvidas, pois, já sabemos quais são as respostas para tantos “porquês”.

Infelizmente, o boicote evidentemente racista do VMA em cima de The Weeknd não é a coisa mais frustrante de toda a problemática. 1 mês após o pico de engajamento em cima do movimento Black Lives Matter e do movimento instagramático #blackoutthuesday não há mais comoção por grande parte da imprensa, artistas e fãs sobre o boicote racista em cima de um artista negro. – Na verdade, não há nem mais atenção em casos mais graves como os contínuos assassinatos de pessoas negras por forças do estado, quem dirá neste. –  Basta uma rápida pesquisa no twitter que você verá tantos jovens auto intitulados de conscientes e engajados se preocupando mais com o Justin Bieber ter sido indicado ou não em categoria X ou apreensivos com a Lady Gaga imaginando se ela irá se apresentar no palco do evento. 

Claro que um prêmio, a longo prazo, não diz absolutamente nada. Um clipe ou uma música podem se tornar atemporais com ou sem VMAs, Grammy ou qualquer outra coisa, exemplos são os que não faltam. Não que não seja importante ou divertido buscar uma validação por parte do público ou crítica. Faz bem pro ego, movimenta a cadeia musical e também pode ajudar a trazer visibilidade para determinado artista ou gênero. Mas daqui a alguns anos, quando relembrarmos este caótico ano de 2020 através da música, ou quando algum jovem que se interessar sobre a música da época qual ele não era nascido, Blinding Lights e a obra de The Weeknd estará lá, sobrevivendo ao tempo assim como qualquer clipe e música de qualidade. E felizmente, quem decide isso é a história feita pelas pessoas, e não a MTV.

 

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Com Ariana Grande e Lady Gaga na liderança, MTV divulga os indicados ao VMAs 2020

Mesmo com a pandemia e o isolamento social, O VMAs 2020 irá acontecer! A premiação mais importante da MTV e uma das mais importantes do mundo da música já tem data e local marcado, dia 30 de Agosto no Barclays Center em Nova York.

Os indicados foram revelados hoje (30) através de uma livestream nas redes sociais oficiais da emissora. Nomes como Taylor SwiftJustin Bieber, Billie Eilish, marcam presença na lista. As líderes de indicação desta edição são Lady Gaga e Ariana Grande, ambas com 9 indicações cada, sendo a grande maioria pela colaboração Rain on Me.

A grande novidade deste ano são as categorias de “Melhor Vídeo feito em Casa” e “Melhor Performance feita na Quarentena”

Confira alguns indicados:

Vídeo do Ano

Taylor Swift – The Man
Lady Gaga & Ariana Grande – Rain On Me
Future & Drake – Life Is Good
Eminem & Juice WRLD – Godzilla
Billie Eilish – everything i wanted
The Weeknd – Blinding Lights

Artista do Ano

Justin Bieber
Lady Gaga
DaBaby
Megan Thee Stallion
The Weeknd
Post Malone

Música do Ano

Billie Eilish – everything i wanted
Doja Cat – Say So
Lady Gaga & Ariana Grande – Rain On Me
Post Malone – Circles
Roddy Rich – The Box
Megan Thee Stallion – Savage

Artista Revelação

Doja Cat
Jack Harlow
Lewis Capaldi
YUNGBLUD
Roddy Rich
Tate McRae

Melhor Colaboração

Ariana Grande & Justin Bieber – Stuck with U
Black Eyed Peas & J Balvin – RITMO (Bad Boys For Life)
Ed Sheeran & Khalid – Beautiful People
Future & Drake – Life Is Good
Karol G & Nicki Minaj – Tusa
Lady Gaga & Ariana Grande – Rain On Me

Melhor Clipe Pop

Halsey – You should be sad
Taylor Swift – Lover
Justin Bieber & Quavo – Intentions
BTS – On
Lady Gaga & Ariana Grande – Rain On Me
Jonas Brothers – What A Man Gotta Do

Melhor Clipe de Hip Hop

DaBaby – BOP
Eminem ft. Juice WRLD – Godzilla
Future ft. Drake – Life Is Good
Megan Thee Stallion – Savage
Roddy Ricch – The Box
Travis Scott – HIGHEST IN THE ROOM

Melhor Clipe de Rock

blink-182 – Happy Days
Evanescence – Wasted On You
Coldplay – Orphans
Fall Out Boy & Wyclef Jean – Dear Future Sell (Hands Up)
Green Day – Oh Yeah!
The Killers – Caution

Melhor Clipe de K-POP

Red Velvet – Pshycho
BTS – ON
EXO – Obsession
(G)I-DLE – Oh My God
Monsta X – Someone’s Someone
Tomorrow X Together – 9 and Three Quartes (Run Away)

Melhor Vídeo de R&B

Alicia Keys – Underdog
ClohexHalle – Do It
The Weeknd – Blinding Lights
H.E.R & YG – Side
Khalid & Summer Walker – Eleven
Lizzo – Cuz I Love You

Melhor Vídeo Latino

Black Eyed Peas, Ozuna & J.Rey Soul – Mamacita
Bad Bunny – Yo Pero Sola
Karol G & Nicki Minaj – Tusa
Maluma & J Balvin – Qué Pena
J Balvin – Amarillo
Anuel AA, Daddy Yankee, Karol G, Ozuna & J Balvin – China

Melhor Vídeo Feito em Casa

5 Seconds Of Summer – Wildflower
Ariana Grande & Justin Bieber – Stuck With U
blink-182 – Happy Days
twenty one pilots – Level of Concern
Drake – Toosie Slide
John Legend – Bigger Love

Ainda não há informações sobre quem irá receber o honorário Michael Jackson Vanguard Award, prêmio especial que a MTV vem dando anualmente a artistas que construíram um legado na emissora e na indústria de videoclipes. A homenageada no último ano foi a rapper Missy Elliot, que se apresentou um um medley de seus maiores hits.

https://youtu.be/i9I-ut1TXoA

 

Para conferir as demais categorias e votar em seus vídeos favoritos no site da MTV clique aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Grammy anuncia mudanças em categorias, incluindo a abolição do termo “Urban”

A Recording Academy, responsável pelo Grammy divulgou hoje (10) mudanças em algumas categorias. A principal delas foi a retirada do termo “Urban” das categorias voltadas para o R&B. Isso ocorreu após a Republic Records, gravadora de nomes como The Weeknd, Drake e Taylor Swift, iniciar uma campanha para eliminação do termo dentro da indústria musical. O Grammy já havia sofrendo diversas acusações de racismo nos últimos anos, e a categoria “Melhor Álbum Urbano Contemporâneo” criada em 2012 era bastante criticada.

O nome Urban havia ganhando popularidade em meados dos anos 80 e soava problemático por separar a música pop feita por artistas pretos da música pop dos artistas brancos.  Agora a categoria passou a se chamar “Melhor Álbum de R&B Progressivo”, que consiste em “Álbuns com elementos progressivos de R&B que podem incluir samples ou elementos de hip-hop, rap, dance e música eletrônica. Também podem incorporar elementos de produção encontrados no pop, euro-pop, country, rock, folk e música alternativa.”

The Weeknd, Draft Punk, Alicia Keys, Tribe Called Quest, Dave ...The Weeknd, o maior vencedor da categoria “Best Urban Comtemporary Album”

Na edição deste ano, Tyler The Creator foi o ganhador da categoria “Melhor Álbum de Rap” pelo seu aclamado álbum IGOR. Durante a coletiva de imprensa após a cerimônia de entrega, Tyler falou sobre como soava agridoce sua vitória nestas categorias.

“Por um lado eu estou muito grato que o que eu fiz pode ser reconhecido em um mundo como esse… mas é péssimo que sempre que nós, e eu quero dizer caras que se parecem comigo, fazemos alguma coisa que transcende gêneros ou coisa assim, eles sempre colocam em alguma categoria urbana ou de rap.”

E completou questionando a falta de artistas pretos nas categorias principais e de música pop.

“Eu não gosto dessa palavra ‘urbana’. Pra mim, é só uma forma politicamente correta de dizer a palavra com ‘n’ [referenciando a palavra inglesa ‘nigga’, que é racista quando falada por pessoas que não são pretas]. Então quando eu ouço isso, eu fico tipo, por que a gente não pode ser indicado pra categoria pop? Então eu fico tipo — metade de mim acha que a nomeação de rap é um elogio ambíguo.”

Tyler, The Creator Says His Grammy Win Feels Like A 'Backhanded ...Tyler The Creator, com o seu Grammy de Melhor Álbum Rap neste ano

Entretanto, a nomenclatura “Urbana” continua nas categorias voltadas para a música latina. O próprio termo é utilizado pelos artistas latino-americanos e não de forma pejorativa. Agora a categoria “Melhor Álbum Pop Latino” passa a se chamar de “Melhor Álbum Pop ou Urbano Latino”, e a categoria “Melhor Álbum Latino de Rock, Urbano ou Alternativo” têm nome de “Melhor Álbum Latino de Rock ou Alternativo”.

Há também mudança na categoria “Melhor Performance de Rap Cantada”, que premia músicas de rap que possuem cantos, seja do próprio rapper dono da canção ou de um convidado. Ela passa a ser chamada de “Melhor Performance de Rap Melódico”. E uma das principais categorias, também passou por alterações.

“Melhor Artista Novo”, mudou novamente de regras. Até a última edição, na qual Billie Eilish foi a vencedora da categoria, o artista para ser indicado só poderia ter lançado apenas 5 singles ou 30 músicas lançadas ao todo ou apenas 3 álbuns antes do período de elegibilidade do determinado ano. A partir de agora, não há mais limites de lançamentos para ser indicado nesta categoria.

Lizzo won three Grammys, but her mind was on Kobe Bryant tragedyLizzo, última vencedora da categoria “Melhor Álbum Urbano Contemporâneo”

A edição de 2021 do Grammy Awards está prevista para ocorrer no dia 31 de Janeiro, e seu período de elegibilidade é de Setembro de 2019, até Agosto de 2020.

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The Weeknd convoca Doja Cat para remix de In Your Eyes

Dando continuidade à divulgação do seu álbum After Hours, lançado em março desse ano, The Weeknd divulgou hoje (21) o remix oficial do seu próximo single, In Your Eyes. Para isso, o canadense convidou a rapper Doja Cat, recém dona do primeiro lugar na parada americana, um dos nomes mais promissores da música internacional.

After Hours conta com mais outros 2 singles de grande sucesso, Heartless e Blinding Lights, ambas as canções também conseguiram figurar o topo da parada americana. Sendo que Blinding Lights ainda se encontra no top 3 da mesma. Leia nossa crítica sobre o quarto álbum de estúdio de The Weeknd aqui:

A melancólica e oitentista redenção de The Weeknd em After Hours

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The Weeknd lança mais 3 faixas extras para After Hours

Após lançar o seu bem sucedido sexto álbum de estúdio no último dia 20, o canadense The Weeknd lançou hoje (30) três canções novas como parte da versão deluxe do projeto. Sendo elas “Nothing Compares“, “Missed You” e “Final Lullaby“. Coincidência ou não, as canções foram lançadas no aniversário de 2 anos do seu EP “My Dear Melancholy,” de 2018.

After Hours, que já tem uma critica publicada aqui no site, é o álbum que teve a maior estreia do ano na Billboard 200, a parada americana de álbuns. O disco que conta com o atual single “In Your Eyes” vendeu em sua primeira semana 444.000 cópias somadas de vendas físicas, digitais e streams.

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A melancólica e oitentista redenção de The Weeknd em After Hours

“Você pode encontrar amor, medo, amigos, inimigos, violência, dança, sexo, demônios, anjos, solidão e companheirismo, tudo isso tarde da noite.”

 – The Weeknd descrevendo After Hours.

 

The Weeknd, lançou hoje (20) seu novo álbum de estúdio After Hours. 3 anos e alguns meses desde seu último trabalho, Starboy (2016). O disco que já conta com o hit single número 1 das paradas americanas, Heartless e o provável também hit número #1 das próximas semanas, Blinding Lights é focado no amadurecimento da persona de Abel Tesfaye nos últimos anos.

Se em Starboy, The Weeknd estava contando sobre a fama, expondo os lados positivos e negativos e se gabando por ser uma estrela. Em After Hours, depois de algumas mudanças conturbadas na sua vida pessoal e profissional como o polêmico relacionamento com Selena Gomez, a recepção morna do público do seu EP My Dear Melancholy, de 2018 e outras coisas, o canadense está disposto a colocar o pé no chão e sair de um pedestal que ele mesmo ficou após criar o alter ego do seu último álbum.

Antes, ele se sentia no topo do mundo, afinal ele realmente estava, e cantava sobre isso, cantava sobre ser inalcançável e inatingível. Porém, parece que por agora, ele começou a aprender mais sobre como as coisas realmente funcionam. Tanto que na última música do disco, Untill I Bleed Out, Abel confessa que “Eu não quero mais tocar o céu / Eu só quero sentir o chão quando estiver descendo”.

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Durante a jornada de descobrimento de uma humildade, as músicas possuem certo tom melancólico acompanhado com o medo dá uma solidão. Umas mais do que outras é claro. Algumas como Scared to Live conseguiram me passar até a sensação banzeira que um Vaporwave consegue transmitir. Essa questão da melancolia, não está ligada a apenas a sonoridade do projeto, ela é bem presente em todo conteúdo lírico. O que pode ser visto já na primeira faixa, Alone Again.


“Eu não sei se posso ficar sozinho de novo
Não sei se consigo dormir sozinho de novo
Verifique meu pulso pela segunda vez
Tomei demais, não quero morrer”

 

Ainda sobre a sonoridade, After Hours têm um grande acerto e um grande erro. O grande acerto é a aposta da sonoridade oitentista completamente inspirada pelo synth-pop da época. Abel e seus produtores conseguiram mergulhar nessa sonoridade de forma tão majestosa que, se o álbum tivesse um pouquinho mais dessa pegada, não restaria dúvidas que seria o melhor de sua carreira. Blinding Lights, que de longe é a melhor música desse trabalho é o melhor exemplo disso. Também há canções maravilhosas como In Your Eyes e Save Your Tears. Que estão em uma sequência muito bem pensada dentro da tracklist, fazendo com que qualquer um que ouça o álbum se teletransporte imediatamente para década de 80.


Já o grande erro, se assim podemos dizer, é a repetição de uma sonoridade já conhecida de The Weeknd. Talvez essa fosse a minha maior preocupação quando ouvi Heartless, o primeiro single, assim que foi lançado. Heartless, assim como Snowchild, Escape From L.A e Faith poderiam facilmente estar no Starboy ou em qualquer outro trabalho antigo de Abel. Embora elas tenham produções mais sofisticadas. As 4 músicas só não podem ser consideradas fillers pelo storytelling presente entre as faixas 6 e 10.

Quem acompanha o trabalho de The Weeknd há um bom tempo, sabe que ele gosta de contar narrativas através de seu trabalho. Seu álbum Beauty Behind the Madness de 2015, tem os clipes de Tell Your Friends, The Hills e Can’t Feel My Face contam só uma história. Em Starboy, no clipe da faixa título e no de I Feel It Coming o mesmo acontece. E agora, em After Hours já temos os vídeos de Heartless e Blinding Lights que também contam uma história só. Entretanto, a visão que eu tive enquanto ouvinte de uma arte é que nesse projeto, The Weeknd está mais ambicioso.

Escape From L.A soa como pontapé de toda história que Tesfaye quer contar. Não é a toa que nos clipes já lançados do álbum ele realmente está tentando fugir de Los Angeles. As letras de Escape, Heartless, Faith, Blinding Lights e In Your Eyes estão interligadas de forma cronológica. O que deixa tudo mais genial e faz perdoar a decepção com as produções nada inéditas na discografia do mesmo.

 

 After Hours que mostra a visão e a reflexão de um popstar, ou melhor, de um starboy, nos seus recém completos 30 anos sobre toda jornada que ele passou nesse curioso e estranho mundo da fama. Mistura muito bem todas as referências acumuladas desses últimos anos e vira um trabalho de identidade singular. É honesto, humilde, forte e inovador. Pode ser um álbum que com o passar do tempo, torne-se ainda maior para muitos, e até mesmo o maior de toda discografia. The Weeknd desconstruiu a armadura que tinha criado anos atrás e abraçou um novo doloroso processo de amadurecimento, seja na forma lírica ou sonora. É realmente um álbum perfeito para servir de companhia durante a madrugada. Sejam elas felizes, tristes, melancólicas, psicodélicas ou pós-festivas.

Nota: 4/5

 

 

 

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Como os streams salvaram a indústria musical da pandemia

Desde quando a OMS decretou como pandemia a doença causada pelo novo coronavírus, não somente as áreas da saúde, política e economia sofreram graves consequências como também a cultura sofreu. E, provavelmente por ela estar tão ligada a todas as pessoas diariamente de forma direta e indireta, ela seja um dos mais fortes componentes para ajudarem na informação do quão grave é a situação mundial.

A TV Globo fechou seus estúdios, e pela primeira vez em décadas anunciou que vai tirar suas novelas atuais do ar, Hollywood está prestes a enfrentar sua maior crise desde a greve dos roteiristas de 2008. Diversas produções e pré-produções de filmes e séries foram paradas ou canceladas, e principalmente, vários filmes, se não todos, tiveram suas estreias adiadas. Blockbusters como Mulan, Viúva Negra, Velozes e Furiosos 9 e Um Lugar Silencioso 2 foram realocados para futuras datas. Entretanto, há um segmento que obviamente sofreu sanções mas que não apavora de fato a indústria como um todo, é a indústria da música. E tudo isso graças aos streamings.

A COVID-19 trouxe para música adiamentos de shows e festivais ao redor do mundo. Por exemplo, o Coachella, as edições do Lolapalooza na América do Sul e a turnê do Mc Fly no Brasil foram adiados. Já a 50° edição do Glastonbury, um dos maiores festivais do mundo, foi cancelada. Porém, no que se trata de lançamentos, bem diferente do cinema, a indústria fonográfica vai muito bem obrigado.

Para os próximos dias está programado – até a publicação desta matéria – grandes lançamentos de álbuns como de The Weeknd, J Balvin, Pearl Jam, Dua Lipa e Lady Gaga. Esses lançamentos vão ocorrer normalmente porque, em 2020, a música, para acontecer, não depende mais dos meios de divulgação tradicionais como rádio e televisão. Principalmente se o artista tiver nascido em meio a era dos streams como J Balvin e Dua Lipa. 

No Spotify, a maior plataforma de streaming do mundo, cada um possuiu, respectivamente 54.685.10 e 52.862.872 milhões de ouvintes mensais. Portanto, lançar um álbum novo, principalmente em um momento que a maioria das pessoas do mundo inteiro terão tempo e disponibilidade para ouvirem seus lançamentos, pode até render mais que em uma época normal. Um grande exemplo que os streams salvaram a indústria fonográfica de uma crise maior ainda é dado por  Don’t Start Now, primeiro single do “Future Nostalgia” álbum de Dua Lipa previsto para ser lançado no próximo dia 3. A canção é a mais forte no momento a conseguir figurar o topo da parada americana nas próximas semanas de acordo com previsões. E a britânica de 24 anos tinha uma apresentação marcada para o próximo final de semana no “Saturday Night Live” um dos maiores programas em audiência dos Estados Unidos que foi cancelada. Desespero? Nenhum. O cancelamento da performance prejudicará seu single na corrida pelo topo da Billboard? Não.

Por fim, essa triste pandemia, veio para evidenciar diversas coisas na nossa sociedade. Desde a importância da auto-prevenção e da conscientização populacional até a mudança no cultural. O que mostra que a indústria musical realmente mudou. A música popular – leia-se aqui, músicas feitas para vender, independente do gênero musical – não precisa mais de barreiras corporativas e pessoais para realmente acontecer. Realmente a democratização musical é uma realidade, ainda que possa parecer um pouco utópica.